Sobre um texto do outro.

Ainda a respeito do assunto poesia goiana, uma feliz coincidência: na mesma data em que meu texto na Germina foi desovado, Simião Mendes, poeta e bacharel em Letras (não sei se ele possui licenciatura também), disponibilizou seu trabalho de conclusão de curso sobre poesia goiana aqui.

Não sei que nota levou, mas, se eu estivesse por lá, nem que fosse pra dar uma opinião que ninguém pediu mesmo, eu passava esse cara de ano. Puta troço bem feito, viu. Seriedade e tudo mais. Como mapeamento, demonstra alta competência. Se considerarmos o que possuímos disponível nesse mesmo sentido (trocando em miúdos, nomes como Gilberto Mendonça Telles, José Fernandes, Alaor Barbosa, Brasigóis Felício), a monografia de Simião, pelo menos pra mim, deixa duas coisinhas bem claras: 1) nós temos um, pelo menos um leitor de poesia atento a praticamente tudo o que já aconteceu e acontece no estado (o trabalho de Simião aborda até mesmo as publicações, concursos e editais, pra você ter uma ideia); e 2) temos um, pelo menos um leitor de poesia capacitado a ler a obra em sua especificidade antes de mais nada & esmiuçá-la acima de tudo.

Vida longa e próspera, portanto. Além do trabalho de conclusão de curso (ou, na verdade, creio que como subsídio para), Simião realizou entrevistas com poetas e agitadores culturais goianos, todas disponíveis em seu canal no Youtube, aqui. Recomendo em especial os três vídeos com Heleno Godoy:








Simião também administra três páginas de facebook, a primeira delas excelente: Poetas do cerrado (aqui), Vandalismo poético (aqui) e Lírico e satírico (aqui; e, antes que você não pergunte, eu vos digo que embora acompanhe produção há um tempinho, o máximo que me agradou foi o verso "A lua brilha na moleira da noite", de Ode à Lua ― um verso que ganha, é claro, graças à metáfora envolvendo a moleira, de uma sensualidade funesta muito mais eficiente e musical que o restante dos 35 versos, mas um verso que, também, perde muito graças à construção frásica "a lua brilha blábláblá" e graças à sua posição no início do poema, ou seja, típico início de poemas lunares: descrição de onde e como rola o luar).

Mais um defeito daquele meu texto seria esse: não ter citado Simião no final.

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