Franz Wright (1953 - 2015).


(Temos três poetas nesta foto de 62: Franz Wright, o garotinho, James Wright, seu pai, e a propriedade rural de Robert Bly. Créditos.)


Franz Wright faleceu ontem. Wright recebeu, em 2004, o prêmio Pulitzer. Junto com seu pai, James Wright, em 1972, ele compõe o único caso até hoje de pai e filho que receberam o mesmo prêmio na mesma categoria. Conheço pouco da obra do poeta. Tomei conhecimento do poema que ora traduzo ao ler a postagem Poetry Not Writter for Children that Children Might Nevertheless Enjoy, por Lemony Snicket para a Poetry Foundation (aqui). A beleza das sugestões e a ideia geral do poema me tocaram profundamente, ainda mais considerando que a poesia de Wright, como diz Helen Vendler (aqui), vai do homicida ao extático. Em solo nacional, o Consolo na Praia, de Carlos Drummond, me parece o correlato perfeito.

§

AUTO-ACALANTO

Pense numa ovelha
pondo um moletom;
no mundo ficando
cada vez mais bom.

Pense no seu gato
dormindo no telhado;
pense na terra onde
seu joelho ficou ralado.

Pense num passarinho
que pousa em sua mão;
traga o Salmo Vinte e Um
de recordação.

Pense num corcel rosa
que para o sul galopa;
pense numa mosca, e
feche a boca.

Quando tiver sede, então beba
de sua própria taça.
As aves vão ficar cantando
até que o dia nasça.

§

AUTO-LULLABY

Think of   a sheep
knitting a sweater;
think of   your life
getting better and better.

Think of   your cat
asleep in a tree;
think of   that spot
where you once skinned your knee.

Think of   a bird
that stands in your palm.
Try to remember
the Twenty-first Psalm.

Think of   a big pink horse
galloping south;
think of   a fly, and
close your mouth.

If   you feel thirsty, then
drink from your cup.
The birds will keep singing
until they wake up.

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