E mais

O que entendo pelo verbo "acompanhar" exclui aquele tipo de encontro fortuito que costuma ocorrer quando é sábado depois do almoço e você decide espairecer assistindo jovens manusearem brochuras mais coloridas e brilhosas que um bastão sinalizador. Acompanhar significa que você encaixa na agenda uma visita periódica naquele site, semestral que seja, não apenas no sentido de sair de lá com alguns embrulhos de erudição debaixo do braço mas principalmente no de que sente uma pontada de inveja e quer fazer igual. Não é este, aliás, o prazer da boa crítica: ouvir alguém mais inteligente do que você?

Os dois que mais me entusiasmam hoje: Camila von Holdefer e Kelvin Falcão Klein. Jovens, transformam a estrutura da crítica em algo tão exuberante e inventivo que lê-los acaba sendo uma maneira privilegiada de pernoitar na cabeça de leitores brilhantes. Num sentido análogo eu citaria o caso da Anica e da Izze, que escrevem resenhas aconchegantes a ponto da gente se esparramar na cadeira, o do Alfredo Monte, do Aguinaldo Medici e do Amador Ribeiro Neto, três mestres da resenha curta, o do Emmanuel Santiago (aqui também), o do Pádua Fernandes e o do Ronald Augusto, grandes leitores de poesia, o do Antonio Cicero, uma espécie de dosagem diária de textos selecionados, todos saídos do campo e com cheiro de terra molhada, e o do Martim Vasques da Cunha, que consegue causar em mim o fenômeno curioso de, ainda que na mais profunda discordância, infiltrar raízes de pasmo com ensaios bem escritos e instigantes.

No quesito tradução, estão espalhados e nem sempre são atualizados com frequência. Cito o da Denise Bottman, referência obrigatória, o do Ivo Barroso, o do Alípio Correia Neto, o do Raphael Soares, o do Anderson Lucarezi, o do Wladimir Saldanha, o do Rafael Brunhara, o do Leonardo Antunes e o do Leandro Durazzo. Caso queira um carregamento de tradutores, às vezes antigos e às vezes novíssimos, recomendo o da Anticítera e a (n.t.). Já quanto aos estrangeiros, dê uma passada no do Tony Kline, no Poems in Translation e no Asymptote.

Depois disso, sem muita enrolação você pode acessar o Pós Poesia e se inteirar de quase tudo o que ocorre em matéria poética no país, com destaque para a Modo de Usar, o Escamandro e o Mallarmagens. Adicionaria a Enfermaria 6, a dEsEnrEdoS e o site do Antonio Miranda, este último, graças a seu caráter monumental, de pronto me trazendo à mente o Templo Cultural Delfos. Existem outros sites coletivos dignos de nota, a exemplo da Amálgama, do Suplemento Pernambuco, do Rascunho, da Sibila, da Zúnai, da Germina, da R.Nott, do Jornal Cândido, do Musa Rara, do Cronópios, do Jornal RelevO, do Letras in.verso e re.verso ou do Estado da Arte. Se isso é o fim da crítica literária, imagino que no Éden de meio século anos atrás os moradores de rua pediam esmola embasados em Musset...

Quase não acompanho revistas acadêmicas. Acho que no final das contas ninguém acompanha. Mas, concisamente, dou atenção pro Cadernos de Tradução da UFSC, pro Cadernos de Literatura em Tradução da USP, pra Belas Infiéis e pro Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, ambos da UnB (ver também aqui), e pra Signótica da UFG.

Afora os que ressecaram ou florescem sazonalmente, por exemplo o do Ricardo Domeneck (aqui também) ou o do Sérgio Rodrigues, e afora os estrangeiros, por exemplo o Novel Readings e o Mumpsimus, individuais, o New Yorker e o New York Review of Books, coletivos, o Poetry Foundation e o Poem-a-Day, voltados para poesia, ― tudo além disso com um abrir de página desaparece do meu campo de visão.

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