Sinto-me na necessidade de dizer que

dos muitos críticos literários, vivos, que admiro (Ricardo Domeneck, Ronald Augusto, Marcos Siscar, Gustavo Silveira Ribeiro, Paulo Franchetti, João Cezar de Castro Rocha, Rodrigo Gurgel, Jessé de Almeida Primo ― pena que bissexto ― etc), um dos que mais admiro é Luis Dolhnikoff. Dois motivos: inteligência e independência. Ele tem, por exemplo, a crítica sobre a obra do Augusto de Campos mais calibrada que conheço, fazendo alguns dos maiores elogios e repreensões imagináveis. Não fala de alguns dos meus poemas preferidos do Augusto, por exemplo o lygia fingers, e acho que elogia demais o Rever enquanto repreende, de novo, como tantos, o Pós-Tudo (embora note a homofonia "ex-tudo" e "estudo" ― o que é interessante, pois no geral aquilo que muitos enxergam como sendo sensaboria, eu mesmo acho o máximo). Normal. Não preciso concordar com tudo pra respeitá-lo. Aliás, se você realmente acha que precisa assinar embaixo, tintim por tintim, qualquer rodapé que o tal do crítico escreve para só assim chamá-lo de bom, eu recomendo prestar mais atenção no serviço, ora pois: reconhecer um crítico como grande não é reconhecer um habitante peculiar do reino encantado das suas preferências; é reconhecer um leitor que responde por suas convicções, um leitor capaz de nos fazer redescobrir textos, obras, autores, períodos. Por isso eu digo: esse texto do Dolhnikoff sobre Augusto de Campos, esse é um texto crítico brilhante, brilhante no nível da resenha que o Faustino fez do Invenção de Orfeu. Mas ele tem muito mais. Tem um texto falando de Bruno Tolentino e de Paulo Leminski. Juntos. Um sobre a poesia produzida pelos guerrilheiros do Araguaia. Um em que contrapõe a poesia inócua da Dal Farra (não sei, não sei, nunca li nada dela) à poética aguerrida do Femen. É certo que o acho meio belicoso por vezes, por vezes de uma enorme má vontade. (Por exemplo quando comenta uma classificação da poesia contemporânea proposta pelo Alcides Villaça.) Mas é um crítico de verdade. Vale.

Comentários

  1. Meu caríssimo Matheus, não sou belicoso, por natureza, mas acho que a poesia brasileira atual não suporta mais tanto compadrio. Corre o risco de morrer de overdose, como um diabético com excesso de açúcar. Nem tenho má vontade, ao contrário. Só que minha muito boa vontade é toda dedicada a essa mesma velha senhora. Se eu não tivesse muito boa vontade com ela, não me dedicaria à crítica de poesia brasileira atual, à "quente". Mas gostei muito de seus comentários, não por vaidade, mas porque são lúcidos.

    Um grande abraço, Luis Dolhnikoff

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