Bernart de Ventadorn (1150 - 1180).



E aqui estamos, às voltas com os trovadores. Estivéssemos postando isso daqui pelo menos um século atrás e teríamos que fazer um monte de rodeios pra começar a provar que compensa ler a poesia desses caras. Hoje, todavia, que boa parte das questiúnculas a respeito da poesia trovadoresca já se encontra devidamente empoeirada ― como por exemplo a maneira torta com que a partir de certo instante se olhou para o conluio entre poesia e música (se bem que isso, em terras brasileiras, ainda é uma questão que suscita comentários entediantes em conversas de bar), ou então a maneira como se insistiu em ver o que era simples como simples e bobo, ou o que era obscuro como obscuro e fútil ― enfim ― hoje nós estamos em tempos francamente melhores, de modo que não há necessidade que eu fique fazendo rodeios intermináveis para simplesmente pedir que você considere a beleza que um cara como Bernart de Ventadorn pode oferecer.

Amor cortês. Sim, amor cortês. Fazer o quê. A canção mais famosa de Ventadorn, Can vei la lauzeta, fala duma tal duma cotovia que, de tão, mas de tão alegre, se perturba toda e chega a cair. É a alegria do amor, aquilo que, no jargão poético da época, se denominava apenas joi. Assim, quando na tradução abaixo você me ver traduzindo joi por "alegria", não ache que isso sequer de longe consegue dar conta do recado. Segismundo Spina, em sua tradução literal, é muito mais fiel à ideia quando fala de uma alegria suprema. É que, para poetas como Ventadorn, o amor era uma coisa que te deixava extasiado a tal ponto que aquilo ali, de uma maneira um pouco paradoxal, começava a doer (se bem que só é paradoxo pra quem nunca sentiu uma sofrência das fortes). Os dois extremos contidos, e um pertinho do outro, no simples êxtase amoroso.

Não espanta que a experiência propriamente amorosa de muitos desses poemas fosse mística, nem espanta que, dentro dos poemas de Ventadorn, um recurso revolucionário começasse a ser implantado de maneira mais detida e consciente: o recurso das mudanças bruscas de estado de espírito. Ainda hoje me parece que essa não é a tendência natural de muitos poetas, isto é, começarem um poema com um tonus determinado e de repente efetuarem uma mudança significativa na tonalidade ali daquele texto. Observem, por exemplo, a maneira confiante e eu diria até mesmo exultante com que Ventadorn abre sua canção, e, então, a maneira como ele vai aos poucos se apossando de uma espécie de revolta ("C'amors no.n pot ges dechazer, / Si non es amors comunaus"!) que estoura na quarta estrofe e aos pouquinhos vai se abrandando, até que o poeta, em versos surpreendentes, nos diz:

          C'aicel jorns me sembla Nadaus 
          C'ab sos bels olhs espiritaus
          M'esgarda!

Esses olhos espirituais são uma das coisas mais intrigantes e belas que tive contato quando o assunto é poesia. Você parece que consegue observar a maneira como o poeta diviniza sua amada, num movimento que prepararia terreno para os poetas do dolce stil nuovo. É um movimento que ultrapassa a proclamação pura e simplesmente intensa do amor e chega à radicalidade e ao ápice de louvor quando o poeta parece que desanuvia todo o resto, apaga as coisas do mundo da face da terra e, num olhar de relance que sua amada lhe der, fecunda um instante que se petrifica em poesia imortal. É difícil você não querer parafrasear uma situação dessas em prosa pseudo-poética, mas é que é um negócio de te deixar com o cabelo em pé. O paralelo que tracei com o dolce stil nuovo não é gratuito de jeito nenhum, e não digo isso só porque os próprios poetas do dolce stil nuovo foram beber na fonte de muitos dos poços artesianos cavados pelos trovadores. Lembre-se da situação do jovem Dante Alighieri trocando olhares com sua Beatriz e, décadas depois, pondo-a na Rosa Mística de seu Paraíso. É isso.

Só que aí você me pergunta: quem foi esse rapaz, Bernart de Ventadorn? Hugo de S. Circ, meio que um contemporâneo do poeta, nos legou uma razo, isto é, biografia. Vejamos:

Bernart de Ventadorn era de Limousin, do Castelo de Ventadorn, e era de pobre linhagem, filho de um servente do castelo que tinha o ofício de padeiro e acendia o forno para cozer o pão; e ele era belo e destro e soube cantar e trovar bem e era cortês e educado; e o Visconde, seu senhor, de Ventadorn se tomou de afeição por ele e por seu trovar e o cobriu de honras; e o Visconde tinha uma mulher, mui gentil dama e alegre, e ela se tomou de afeição pelas canções de Bernart e se enamorou dele e ele dela, tanto que fez canções e versos sobre ela e sobre o amor que sentia; longo tempo duraram os seus amores antes que o Visconde se apercebesse; e quando o Visconde se apercebeu, afastou-se dele e fez encerrar e guardar muito bem a mulher, e a mulher se despediu de Bernart, que partiu para bem longe daquele lugar; e ele partiu e foi para a terra da Duquesa de Normandia, que era jovem e de grande valor e digna de méritos e louvores; e as canções de Bernart agradaram-lhe muito e ela o recebeu e acolheu muito bem; longo tempo ele esteve em sua corte e se enamorou dela e ela dele e sobre isso fez muito boas canções; e estando com ela, o Rei da Inglaterra a tomou por mulher e a levou para a Inglaterra; e Bernart ficou, triste e cheio de dor; e se foi ao bom Conde Raimundo de Tolosa, e com ele ficou até que o conde morreu; e Bernart, por aquela dor, entrou para a Ordem de Dalon e lá definhou; e o Conde Ebles de Ventadorn, filho da viscondessa que Bernart amou, contou-me a mim, Hugo de S. Circ., isso tudo que fiz escrever sobre Bernart.

A tradução dessa razo foi feita por Augusto de Campos e está em seu livro Verso, reverso, controverso (Perspectiva, 1978, p. 80-81). Augusto possui três traduções de Ventadorn, todas de alto nível técnico: Quant vey la lauzeta mover, Lo tems vai e ven e vire e o trecho de uma canção que contém os versos: "Si no'us vei, domna don plus mi cal, / negus vezer mon bel pensar no val". Este último trecho, que Augusto descobriu cravado no Canto 20 de Pound, não é bem uma tradução e sim uma intradução ― ou seja, uma maneira de transcender o ato tradutório propriamente dito e, graças a ferramentas que trabalhem e realcem com a materialidade do signo, redotar a força poética do original num novo arranjo que faça com que essa intradução também pertença à obra do intradutor. Veja:




"Se eu não vejo a mulher que eu mais desejo, nada que eu veja vale o que eu não vejo." No Canto 92 Pound verte para: "And if I see her not, / no sigh is worth the beauty of my tought."

Ventadorn foi um poeta que, considerando que a influência dos trovadores meio que deu um salto da Itália do dolce stil nuovo para, quando muito, alguns românticos aqui e ali, mas, de maneira mais extensa, para a poesia inglesa moderna, desaguou de maneira especial na poesia de Ezra Pound. Pound foi um dos principais responsáveis pela revivescência que a poesia dos trovadores passou a gozar de lá pra cá, e a tal ponto que Pound, ao tratar dos provençais, falava deles como se eles estivessem de alguma maneira vivos. O trabalho de Pound em cima deles foi brilhante, e, do ponto de vista tradutório, abarcou desde traduções que buscassem apenas elucidar o sentido, ou seja, sem nenhum trato propriamente literário ou textual, até traduções fiéis, por assim dizer (eu mais uma vez vou suspender a problemática quilométrica de um termo assim por pura conveniência), e incorporações em seu sentido mais amplo (por exemplo a apropriação de Bertran de Born em Sestina: Altaforte). Com Ventadorn a coisa foi mais ou menos no sentido de: além de ter traduzido a primeira estrofe de Can vei la lauzeta (bem ruinzinha, aliás), esta é uma canção que de modo geral aparece de maneira recorrente ao longo do livro, fazendo sua primeira aparição no Canto 6 e a última no 117.  Hugh Kenner também nota que, se Arnaut Daniel é o poeta que estruturalmente e mesmo poeticamente se faz mais presente ao longo dos Cantos, em especial graças à sua lição de uma poesia de sonoridades difíceis e raras, trabalhando o choque consonantal e uma espécie de polifonia rímica que chega a seus ápices em poemas como L'aura amara ― o caso de Ventadorn, que é também agudamente musical, é o caso de um trovador que ao longo dos Cantos Pound usa como exemplo de tudo aquilo que ele entende como sendo característico da poesia provençal, e que, de certo modo, é o que até hoje fica: uma poesia leve composta numa espécie de fluxo consonantal.

O interesse poundiano contaminou mais gente, em especial um carinha chamado Paul Blackburn (1926 - 1971). Blackburn, expoente dos chamados Black Mountain Poets, travou correspondência com Pound e, como vários e vários outros nomes na trajetória de Pound (p.ex. Yeats, Eliot, Joyce, os Concretos etc etc), o velho poeta acabou servindo de guru para o efebo. Um dos exercícios que Pound gostava de dar a Blackburn era o de que Blackburn estudasse e buscasse traduzir a poesia dos provençais, coisa que, de resto, Blackburn se esforçou em fazer. Tanto que ele chegou até a publicar seus resultados, pouco mais de uma centena, num livrinho chamado Proensa, de 1953. São versões que nós chamamos de caracterizadamente poundianas ― pelo menos o sentido mais corrente e influente do que se entende por tradução poundiana, que seria o de uma reinterpretação e recriação radical do original na língua de chegada ―, algumas inclusive com um grau de realização e criatividade francamente altos (por exemplo a versão para Bertran de Born: "And I love beyond all pleasure"). Você consegue encontrar uma discussão muito boa a respeito do impacto da relação entre Pound e Blackburn, e os resultados tradutórios e poéticos decorrentes disso, no clássico livro de Lawrence Venutti, Translator's Invisiblity ("Pound played a crucial role in Blackburn's formation as a poet-translator."). Eu basicamente trago aqui pra vocês a tradução dele para a canção de Ventadorn ― que é o cerne da postagem ― e, embora não a considere tão criativa assim ― Blackburn, por exemplo, passou por cima dos olhos espirituais do original, sem dar a cara a tapa ―, é uma tradução que me pareceu digna de nota ainda mais se considerarmos que o trabalho de Blackburn como tradutor, de um modo geral, é praticamente desconhecido no Brasil ― e olhe que ele também traduziu gente como Cortázar ou o Poema del Cid.

E é isso. Ventadorn, chamado por Segismundo Spina como o maior dos trovadores, é um mestre consumado do trobar suau, leu ou leger, isto é, a poesia leve, aquela poesia com uma linha mestra clara e sem maiores dificuldades, ao invés de emaranhada, arrevesada (o chamado trobar clus) ― nem com entrechoques sonoros (o chamado trobar ric, cuja tecnologia de ponto durante muitos séculos foi reputada como incompreensível...). Das 45 canções que deixou, 18 delas possuem a partitura, o que é tipo assim... um recorde. Infelizmente eu não consegui achar nenhuma versão musicada para essa canção aqui que eu trago pra vocês, mas, caso você queira escutar a de qualquer uma que seja, você pode procurar pelas inúmeras a respeito de Cant vei la lauzeta. Ventadorn é um poeta que tem muito a nos ensinar. O questionamento de Augusto de Campos, na introdução à sua antologia de poetas provençais, a respeito de que serventia esses caras poderiam ter numa era tão tecnológica quanto a nossa, é sem dúvidas instigante, mas, como o próprio Augusto se ocupa em responder, "o trabalho de estruturação e de ajuste das peças do poema (...) é um dos mais altos momentos da poesia no sentido de apropriação do instrumento verbal e de sua adequação ao dizer poético." Não é pouca coisa.

Uma tradução de um poeta como Ventadorn é sempre um exercício meio angustiante. Traduzir poesia acaba sempre sendo, mas é que com Ventadorn isso se parece mais acentuado. O caso de expressões como joi, por exemplo, são suficientes pra afundar com uma verdadeira bala de canhão qualquer proximidade que as duas línguas aparentemente possuíam. Do mesmo modo, não estou muito certo se traduzir os bels olhs espiritaus por "místico olhar" seja realmente a melhor maneira de proceder ― ou "Si.lh voluntatz non es egaus" por "Onde é contrária a volição" ―, embora eu deva notar que foi a melhor coisa que eu consegui.


trad. eu.

Cantar de nada vai valer
se da alma não vier o canto;
e o canto à alma vai mover
se houver amor no coração.
Meu cantar chega à perfeição
pois que com amor e alegria
emprego olhar, boca e poesia.

Deus nunca me deu o poder
de me opor ao amor. Conquanto
soubesse o quanto iria ter
(nada), os males diários dão
à minh'alma nobre feição!
E se um prazer me prestigia,
é que a alma é digna e porfia.

Insultam amor sem saber,
os tolos. Não faz mal. Enquanto
o amor jamais se empobrecer,
amor não cai ao rés do chão.
Isso não é amor, que não
tem mais que nome e face fria
e só por interesse amaria!

Se abertamente eu for dizer,
sei bem a causa do quebranto:
os que amam somente o haver.
Tratantes venais é o que são!
Quisera eu fosse falso, então!
Os fatos ponho à luz do dia.
Assim não fosse, pesar-me-ia!

Tanto em agradar e querer
reside amor e seu encanto.
Proveito não pode irromper
onde é contrária a volição.
E tola será a condição
de quem veda o que ela queria
e quer o que lhe contraria.

Em bom rumo pus minha fé
quando ela ri seu riso santo
que sei prezar e sei querer.
Tão franca e de alto galardão
que os reis hão de ter-lhe afeição;
tão justo o corpo, e bela e pia,
que a todo pobre é honraria.

Só ela eu amo e sei temer,
e nada é trabalhoso tanto
quanto poder lhe dar prazer;
pois mais parece a Criação
se seu místico olhar então
me vê! E é tão raro, que um dia
igual a um século seria!

Sincera e pura é a canção
que honra quem ouve o que ela cria
e mais a quem tem alegria.

Bernart de Ventadorn a cria
e entende, e espera essa alegria!


Chantars no pot gaire valer,
Si d'ins dal cor no mou lo chans!
Ni chans no pot dal cor mover,
Si no i es fin' amors coraus .
Per so es mos chantars cabaus
Qu'en joi d'amor ai et enten
La boch' e.ls olhs e.l cor e.l sen.

Ja Deus no.m don aquel poder
Que d'amor no.m prenda talans.
Si ja re no.n sabi' aver,
Mas chascun jorn m'en vengues maus,
Totz tems n'aurai bo cor sivaus!
E n'ai mout mais de jauzimen,
Car n'ai bo cor, e m'i aten .

Amor blasmen per no-saber,
Fola gens! mas leis no.n es dans,
C'amors no.n pot ges dechazer,
Si non es amors comunaus .
Aisso non es amors !aitaus
No.n a mas lo nom e.l parven,
Que re non ama si no pren

S'eu en volgues dire lo ver,
Eu sai be de cui mou l'enjans:
D'aquelas c'amon per aver
E son merchadandas venaus
Messongers en fos eu e faus
Vertat en dic vilanamen,
E peza me car eu no.n men

En agradar et en voler
Es l'amors de dos fis amans.
Nula res no i pot pro tener,
Si.lh voluntatz non es egaus.
E cel es be fols naturaus
Que, de so que vol, la repren
E.lh lauza so que no.lh es gen .

Mout ai be mes mo bon esper,
Cant cela.m mostra bels semblans
Qu'eu plus dezir e volh vezer,
Francha, doussa, fin' e leiaus,
En cui lo reis seria saus !
Bel' e conhd', ab cors covinen,
M'a faih ric ome de nien.

Re mais no.n am ni sai temer!
Ni ja res no.m seri' afans,
Sol midons vengues a plazer!
C'aicel jorns me sembla Nadaus
C'ab sos bels olhs espiritaus
M'esgarda! mas so fai tan len
C'us sols dias me dura cen

Lo vers es fis e naturaus
E bos celui qui be l'enten !
E melher es, qui.l joi aten .

Bernartz de Ventadorn l'enten,
E.l di e.l fai, e.l joi n'aten




§

trad. Paul Blackburn.
em: An anthology of medieval lyrics, The Modern Library, 1962, p. 33-35, aqui.

It is worthless to write a line
if the song proceed not from the heart:
nor can the song come from the heart
if there is no love in it.

Maligning fools, failing all else, brag,
but love does not spoil,
but countered by love, fills,
             fulfilling frows firm.
A foool's love is like verse poor in the making,
only appearance and the name having,
for it loves nothing except itself, can
                         take nothing of good,
                         corrupts the rhyme.

And their singing is not worth a dime
whose song comes not from the heart.
If love has not set his roots there
the song cannot put forth shoots there: so
my song is superior, for I turn to it
mouth      eyes      mind      heart
and there is the joy of love in it.
And the binding glance is food for it
and the barter of sighs is food for it
and if desire is not equal between them
there is no good in it.

God grants me  no strictness to counter my desire
yet I wonder if we afford its acceptance,
responsible for what we have of it. Though
                         each   days   goes   badly   for   me.
Fine though at least will I have from it
                          though no other thing:
for I have not a good heart and I work at it,
a man with nothing.

Yet she has made me rich, a man with nothing.
Beautiful she is, and the more
I see her openness and fresh body, the more
                         I need her and have smarting.
Yet so seldom her fine eyes look on me
one day must last me a hundred.
                         Yet her fine body ―
when I gaze on it, I
grow like a canso, perfect.
And, if desire is equal between us
and the darkness enters my throat?

§

trad. com base na versão de Blackburn.

É sem proveito verter em verso
se o canto não provém do peito:
nem pode o canto provir do peito
se ali não tem amor.

Palermas maledicentes, míseros, alardeiam,
mas amor não malogra,
mas, graças!, amor suplanta
             e suplantando resplandece.
Poema de palerma é palerma ao ser composto,
só aparenta ser e de poema tem o nome,
pois só ama a si próprio, e nada
                         tem de bom, e só
                         corrompe a rima.

E seu canto não tem proveito nem vale
se seu canto não provém do peito.
Se amor ali não se enraíza
o canto não se alastra: assim
meu canto é maior: concedo-lhe
boca      olho      mente      peito
e nele habita a alegria do amor.
E o olhar de relance lhe alimenta
e a permuta de suspiros lhe alimenta
e se o desejo entre ambos não é idêntico
não há nada de bom nele.

Deus não me deu rigidez em lutar com meu desejo
e entanto penso se dispomos do que ele acolhe,
responsáveis pelo que disto possuímos. Embora
                         cada dia só piore.
Bom pensamento ao menos terei disto
                         se bem que nada mais:
pois tenho um bom peito e nele tenho feito,
homem-nonada.

E porém ela me enricou, homem-nonada.
Ela é bonita, e quanto mais
vejo seu corpo esbelto e espontâneo, mais
                         a prefiro e me firo.
E porém raro seus olhos me olham
que um dia dura séculos.
E porém seu fino corpo ―
                         quando o olho, eu
cresço feito canção, perfeito.
Mas e se a canção entre nós é idêntica
e a treva adentra minha garganta?

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