Mapa do maroto.



Você mesmo, amigo leitor do bloguinho. Um monte de coisas. Um monte de coisas é pra você que eu pretendo indicar, buscando, com isso, dar pelo menos as coordenadas que julgo interessantes para saciar um pouquinho sua sede de literatura e crítica. Existem três critérios que nortearam minha seleção. O mais inamovível deles foi o de só selecionar o que fosse acessível pela internet. Logo depois vem o de selecionar aquilo que eu julgasse de qualidade, dentro, é claro, das várias propostas apresentadas ― eu estaria fazendo papel de besta se quisesse estabelecer um parâmetro qualitativo antes ― embora seja um crítico mirim, nesse erro grotesco eu, ao menos conscientemente, não caio. E o terceiro ponto foi o de selecionar o que esteja na ativa, o que implica dizer: que não tenha parado as atividades e que possua uma constância mínima. Isso foi o suficiente pra excluir algumas coisas bem legais da jogada (por exemplo a seção Risco no jornal O Globo ou a revista Cacto). Eu também adicionaria um quarto ponto que é o de que não tive como objetivo selecionar plataformas de publicação acadêmica. A exceção foi o GELBC-UnB, que é especificamente voltado à literatura contemporânea.


PLATAFORMAS DE PUBLICAÇÃO

Isto é, lugares onde você vai encontrar contemporâneos sendo publicados. O enfoque aqui é poético.

  • Modo de Usar ― é impossível acompanhar a revista e não sair com a mente arejada; compensa também curtir a página de facebook da revista, aqui;
  • Escamandro ― cumpre com um alto grau de excelência a divulgação de poetas nacionais e a publicação de traduções de qualidade;
  • Mallarmagens ― em muitos casos, o título das publicações é uma pequena farpa interpretativa precisa ou no mínimo instigante ― é também um site com ótimos textos críticos, vale a pena garimpar;
  • Enfermaria 6 ― é uma espécie de entreposto de autores nacionais e portugueses;
  • Errática ― já é uma sólida referência em poesia verbivocovisual;
  • Revista Saúva;
  • dEsEnrEdoS;
  • Escritoras suicidas;
  • Revista Nerval ― vinculada à Flaubert, plataforma de publicação de prosa contemporânea, e à Sainte-Beuve, plataforma de publicação de crítica;
  • Antessala das letras;
  • Antonio Miranda ― creio que já podemos considerar o Antonio Miranda como um clássico da publicação e antologização de poesia nacional;
  • Recanto das Letras ― e não, eu não estou brincando ― aliás, por quê eu estaria?;
  • UBE - União Brasileira de Escritores;


PLATAFORMAS CRÍTICAS

Muito se tem dito sobre a crise da crítica (tem até quem já lavre sentença dizendo: morta está). Daqui até o final do mapa vai dar pra ver bem que as coisas não são tão simples assim Na verdade, em muitas das plataformas de publicação que citei anteriormente já dava pra ver que não era, haja vista que em muitas dessas plataformas a pessoa que escreve a postagem está fazendo as vezes de crítico... Então a coisa basicamente seria: no mundo físico, o espaço dado à crítica realmente está cabendo, e com folga, numa casca de noz. Agora, já na internet... Senta aí, Claudia. A conversa é outra.



    BLOGS

    Ou, num outro título: os críticos e leitores brandindo suas armas no aconchego do lar. Aqui eu apertei com mais firmeza o parafuso do segundo ponto.

    • Hellfire Club ― a dona do blog, Anica, chefiava o finado Meia Palavra, um dos sites mais legais de literatura que já houveram (era mais ou menos como o Literatortura e o Homoliteratus hoje). Muita gente boa saiu do Meia, aliás ― a maior parte das postagens de lá, por exemplo, foi reincorporada ao Posfácio. Os textos da Anica são textos francos que conseguem comunicar a impressão de leitura com vivacidade, de modo que, mesmo que você não goste do livro, você ainda assim vai considerar com seriedade o que foi dito;
    • r.izze.nhas ― o mesmo que disse sobre a Anica dá pra ser dito sobre a Izze (a Izze também fazia parte do Meia Palavra) ― a diferença é que as resenhas da Izze não possuem toda a intimidade que você vai encontrar nas da Anica;
    • Livros abertos ― já falei sobre a Camila aqui no blog, então eu só comento que ― o que mudou de lá pra cá é que houveram entrevistas com ela e ela demonstrou o que eu havia dito: embora ela tenha levado o gênero da resenha a seus limites em alguns textos, isso não quer dizer que ela não seja uma ótima resenhista também valendo-se dos formatos tradicionais de crítica impressa;
    • Antenas de Marfim ― um leitor eclético, pra dizer o mínimo: estuda o parnasianismo mas possui um ouvido atento pra música e se demonstra um acurado leitor de poesia contemporânea;
    • Monte de Leituras ― se acontecer de alguém resolver descobrir sozinho pra que serve aquele botão vermelho no Pentágono, as civilizações que encontrarem nossos destroços talvez classificarão Alfredo Monte como um dos últimos críticos de jornal do nosso país. Destaco também o ecletismo do crítico, tanto em relação a gêneros como em relação a editoras. Haja vista que a maior parte do que listei aqui infelizmente refrata na maior parte dos casos os ditames de um curralzinho editorial, qualquer esforço em expandir, mesmo que de forma inconsciente, o espectro perceptivo é algo algo sem dúvidas admirável;
    • Livros que eu li;
    • Mundo de K;
    • Augusta poesia ― se causa espanto o caso de Alfredo Monte, o de Amador Ribeiro Neto causa ainda mais, haja vista que seu enfoque é a poesia;
    • Poesia-pau ― Ronald Augusto é um crítico rígido, ouso dizer até linha-dura ― mas isso não quer dizer que não seja um crítico sério ou que tenha se reduzido à figura do carrasco sem eira nem beira ― muito pelo contrário, aliás ― compensa acompanhar a coluna do poeta e crítico no jornal Sul21 também, aqui;
    • A biblioteca de Raquel ― efemérides do meio literário;
    • Acontecimentos;
    • Contra a capa ― blog de Ricardo Domeneck, um dos editores da Modo de Usar, para a DW Brasil; compensa também acompanhar seu blog pessoal, aqui;
    • O Xis do Problema ― sobre a realidade da editoração e do mercado de livros ― conferir também a coluna do autor no Publish News, aqui;
    • Espantalhos desamparados ― blog do professor da UFBA Gustavo Silveira Ribeiro, um dos mais finos e bem aparelhados leitores de hoje;
    • Todoprosa;


    VLOGS

    Abram alas. Tapete vermelho, confete e tudo mais. O fenômeno da atualidade chegou. Creio que de lá pra cá, isto é, da postagem que escrevi sábado passado refletindo sobre os vlogs, até hoje ― eu tenha ficado um pouco ranzinza. É o que tem explicado minha falta de paciência crescente com, por exemplo, as vinhetas que os vlogueiros usam pra abrir seus vídeos: todas idênticas, com a mesma matriz de efeitos visuais e sonoros indicando que nós, vinhetas, fomos feitas pelo mesmíssimo programa e se brincar com o mesmo nível de habilidade técnica. Mas vamos lá.

    • Tiny Little Things ― é um dos vlogs mais famosos hoje ― possui momentos eu julgo gloriosos, como a série de impressões de leitura sobre Proust;
    • Cabine Literária ― o formato recente do canal, de abandonar as resenhas individuais e passar a comentar tópicos gerais, é um formato que possui seu interesse;
    • Claire Scorzi ― tendo em vista o tom caseiro dos vídeos dela, e o bom conteúdo que apresentam, é um canal praticamente alienígena em terra de vlogs;
    • Vamos falar sobre livros? ― ativo pra caramba, possui mais de duas centenas de resenhas publicadas ― os vídeos sobre poesia, em que a Gisele conta com a ajuda de seu marido, são interessantes ― existem poucos vlogs que sequer tocam a respeito do assunto da literatura ― dois que faziam um serviço legal eram o Batom de Clarice e o Pato Fáustico, mas eles não se encaixam no ponto 3 de minha seleção;
    • Ler antes de morrer ― olha, tá pra nascer uma pessoa mais simpática que a dona desse canal...;
    • Boards e books ― muitos vlogueiros tentam ser engraçados, mas eles não são tanto assim ― o caso da Laíse, contudo, é diferente: dá pra perceber bem que ela é uma pessoa engraçada, mas de um jeito genuíno e sem precisar de piadas e gags forçadas como boa parte anda incorrendo;
    • Clube do livro erótico;


    EDITORAS

    Se você quer acompanhar poesia contemporânea, desista de lamber a sola das grandes editoras. Elas não vão saciar sua sede. Arregace as mangas e vá procurar por editoras pequenas. Quem tem oxigenado o fenômeno literário são elas. Esta é uma parte do mapa um tanto quanto superficial, pois nisso de acompanhar poesia contemporânea quem vai até as minúcias e se aventura nas selvas mais longínquas é rei.



    [BÔNUS TRACK]
    LITERATURA GOIANIENSE

    Não quero me alongar muito nesse meu bonus track pois estou planejando um ensaio sobre poesia goiana contemporânea que envolveria um comentário mais demorado sobre cada um desses que listo abaixo... Aqui eu meio que ponho de lado os três pontos que nortearam as seleções anteriores e também seleciono tudo o que a meu ver é de interesse a quem queira acompanhar a produção literária da capital goiana.



    Achou que me esqueci? Eu sou danado, não me esqueço.

    Você, amigo leitor do bloguinho, você é meu convidado de honra. Tem sugestões? Deixe aí nos comentários. Pago com biscoitos.


    E o mais legal é: não precisa dizer "mal feito desfeito" depois de usar!...

    Comentários

    1. Mavs, esses "houveram" aí é uma moda neo-modernista? rsrsrsrs, brinks. :v

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