Algernon Charles Swinburne (1837 - 1909).


(Quadro de William Bell Scott, 1860.)



Swinburne foi um dos poucos poetas ingleses de sangue azul. Muitos, a partir disto, o comparam a Byron, tendo em vista não só a estirpe de ambos os poetas mas também a vida desregrada. Swinburne era alcoólatra e algolagníaco, isto é, ele sentia prazer sexual em infligir dor em si próprio ou em outras pessoas. A coisa só mudou quando, aos 42 anos, Swinburne ficou sob tutela de seu amigo Theodore Watts. Dizem que Watts era meio linha dura, dando um verdadeiro tratamento de choque no poeta, mas ao mesmo tempo temos que nos lembrar que, se não fosse assim, era muito provável que Swinburne não tivesse vivido mais os 30 anos que viveu.

Associado aos pré-rafaelitas, que conhecera quando era estudante em Oxford (isso nos idos de 1856), Swinburne foi uma figura polêmica. O misto de libertinagem e hipocrisia da sociedade elisabetana não soube lidar com alguns momentos da lírica swinburniana. De modo geral, os anos mirabilis do poeta foram os anos de 1865 e 1866. Em 1865 era a data de publicação de Atalanta in Calydon, peça que obteve enorme sucesso, e, em 1866, a data de publicação da primeira edição de Poems and Ballads.

Atalanta in Calydon é um revival da tragédia grega. Mas um negócio quase que pari passu. Você vai encontrar, por exemplo, o prólogo, o párodo (entrada do coro), os episódios intercalados pelos estásimos (cantos do coro), o respeito às chamadas unidades aristotélicas etc. Tudo nos seus conformes, tendo como norte em específico a tragédia esquiliana. Apesar do título (esse "apesar do título" é comum a muitas peças gregas), a personagem central não é exatamente Atalanta; ela divide boa parte do espaço cênico com Altea, rainha da Calidônia. Altea uma vez sonhou que ela pariu um galho em chamas, de modo que esse galho, enquanto permanecesse intacto, queimando, sustentaria a glória e vida de sua prole. Sua prole, entenda-se: Jasão. Aquele, dos argonautas, sabe? Sim, ele mesmo. Pois então. Ele era um verdadeiro homenzarrão, respeitado pra tudo quanto é canto. O problema é que certa feita Oeneus, rei da Calidônia, deu oferenda a todos os deuses menos Ártemis. Claro que Ártemis ficou irritadíssima, no que resolveu mandar um monstruoso javali que fez um estrago tremendo. A galera fez tipo uma força-tarefa pra matar esse tal javali, e, no meio dessa força tarefa, estava Atalanta, do título da peça de Swinburne. Ártemis se simpatizou por ela, e deixou que ela acertasse a primeira flecha no javali, no que vieram outros e terminaram o serviço. Meleagro, que foi quem acertou o javali no olho, estava caidinho por Atalanta, tanto que até lhe deu o espólio. Só que os irmãos de Altea, Toxeu e Pléxipo, acharam um absurdo a decisão de Meleagro e afanaram o espólio de Atalanta. Meleagro foi lá e matou os irmãos de Altea. Altea só faltou ficar doida. E ficou: ela pega o ramo que sustentava a vida de seu filho Jasão e o joga na água. O ramo apaga e Jasão morre. Tristeza pra tudo quanto é canto. E o argumento da peça estava posto.

O que é digno de nota na peça, todavia, não é nem tanto o seu desenvolvimento dramático. O que as pessoas costumam notar é o manejo de Swinburne do verso. Aliás, o verso de Swinburne é em muitos sentidos a sua fonte de sucesso. Altamente musical, valendo-se de uma dose cavalar de aliterações, assonâncias, rimas e paranomásias, é um tipo de verso que marca a ferro e fogo a cabeça do leitor. Eliot louvava e muito essa característica altamente musical de Swinburne, dizendo, num ensaio dedicado a Dryden (e pondo Swinburne como o exato oposto de Dryden) que os versos de Swinburne expressam apenas sugestão e nenhuma denotação. Noutro ensaio, desta vez dedicado exclusivamente a Swinburne, Eliot aponta como a poesia de Dryden se espraia por versos e versos sem que, por conseguinte, fôssemos capazes de determinar com exatidão qual daqueles versos é supérfluo: a difusão é uma característica essencial de Swinburne. Noutra passagem do mesmo ensaio, ele diz (na tradução de Ivan Junqueira): "O que captamos em Swinburne é uma expressão através do som, que não poderia de forma alguma associar-se à música, pois o que ele nos dá não são imagens, idéias ou música, mas algo que curiosamente mistura sugestões de todas as três."

A respeito disso (disso: manejo de verso), os coros de Atalanta in Calydon, por exemplo, são exemplares. Em especial o coro que abre a peça. Dê uma olhada nessa estrofe aqui, ó:
   
        The full streams feed on flower of rushes,
          Ripe grasses trammel a travelling foot,
        The faint fresh flame of the young year flushes
          From leaf to flower and flower to fruit,
        And fruit and leaf are as gold and fire,
        And the oat is heard above the lyre,
        And the hoofèd heel of a satyr crushes
          The chestnut-husk at the chestnut-root.

Algo como:

        Repleto, o fluxo flui em meio à flor das ramas,
          E em meio ao pé que trilha urde a relva abrupta,
        O ano novo desliza em fracas, frescas flamas
          Da folha para a flor e da flor para a fruta,
        E a luz da folha e fruta logo se propaga,
        E antes da lira escuta-se a flauta primeiro,
        E o calcanhar ― o casco ― de um sátiro esmaga
          A casca da castanha ao pé do castanheiro.

Eu não preciso nem mesmo comentar. É só ler. Pegue por exemplo só os quatro primeiros versos dessa estrofe. Temos uma poderosíssima aliteração em F e em L que desemboca no verso "From leaf to flower and flower to fruit", que, mais do que simplesmente incutir uma ideia de alternância, ganha, graças à tessitura sonora dos versos anteriores, a ideia de um movimento muito bem delineado de mescla.

Isso em 1865. Como dito, a peça foi um sucesso: John Ruskin, por exemplo, um dos grandes críticos de arte da época, em 1866, numa carta endereçada a Charles Eliot Norton, recomenda a peça de Swinburne com elogios e ressalvas característicos, pra dizer o mínimo: "the grandest thing ever yet done by a youth—though he is a Demoniac youth". Em 1866 Swinburne publicaria Poems and Ballads. Aqui também existem muitos poemas memoráveis, entre eles o que traduzo. Mas eu também poderia citar Laus Veneris, The triumph of time, Hymn to Proserpine ou Hermaphroditus. Observando passagens deste último, por exemplo, nós podemos imaginar as razões da sociedade vitoriana ter dado um pulo ao ler os versos de Swinburne ― muitos chegando até mesmo a estender a crueza de algumas passagens swinburnianas (é preciso todo um esforço mental, claro, pra ver crueza nos versos de Swinburne, ainda mais passado todo um século como o XX) à pessoa de Swinburne, o que, claro, é em grande parte um equívoco ― afinal de contas, como diz Oscar Wilde num texto a respeito de Swinburne, o público inglês, usualmente hipócrita, pudico e filistino (Wilde dixit), não conseguia achar arte na obra de arte, buscando, antes, pelo homem por trás da obra. Veja-se, do terceiro soneto da série (Hermaphroditus é composto de quatro ao todo):

        Yet by no sunset and by no moonrise
        Shall make thee man and ease a woman's sighs,
        Or make thee woman for a man's delight.

Algo como:

        Mas nem o pôr-do-sol nem o luar
        Far-te-ão homem que a faça suspirar,
        Ou mulher que a um homem dê prazer.

Mesmo quando Swinburne trata de temas metafísicos como a passagem do tempo em The triumph of time, que traz um eu lírico que, após sofrer um naufrágio, se encontra diante do deserto aquático das ondas; mesmo quando trata de temas metafísicos, Swinburne consegue trazer uma concreção invulgar a seus poemas, nem tanto pelo fato de trazer, por assim dizer, referências efetivamente concretas, mas sim graças ao fato de que suas sonoridades estão sempre presentes e atuando de maneira explícita na cabeça do leitor. Assim, mesmo que seu tema tenda à dissolução, essa dissolução deixa bem claro o marulho do correr de seus versos.

Ítilo (que aparece numa parte da tradução como Itilo, i-TI-lo, sem acento agudo, pra encaixar na métrica) também faz referência à mitologia grega. Ítilo era prole de Aédon, rainha de Tebas e esposa de Zeto. Quando Aédon mata por engano Ítilo (na verdade ela queria matar Amaleu, filho de Níobe, pois Aédon tinha inveja da fecundidade abundante de Níobe), ela só falta morrer de tanta dor, no que os deuses se apiedam dela e a transformam num rouxinol (aēdonis, ἀηδονίς, em grego, é rouxinol). Acho esse poema de Swinburne uma coisa belíssima. Aqui nós conseguimos nota que a sonoridade do poeta não é gratuita. Ela é como se fosse um dobre tão fatalístico quanto o Nevermore do Corvo de Poe, por exemplo. A partir do instante em que ela repete determinadas frases à maneira de chavões (por exemplo "Hast thou forgotten ere I forget?"), é como se ela estivesse se torturando e remoendo uma dor tão imensa que simplesmente não tem como ser digerida. É o limite. É a dor máxima. Já dizia o pássaro: o ser humano não suporta tanta realidade. A cada vez que o leitor sentir a concretude do texto se realçar a fim de que seja formada a notória sinfonia swinburniana, o leitor tem que ter em mente que está diante de um instante de dor em que a memória também realça a si mesma e machuca de maneira inenarrável.

Swinburne publicou mais duas edições de Poems and Ballads, mas só a primeira bastava. Ele já era um sucesso. Dizem até que a rainha chegou a dizer que, do país todo, o melhor poeta era ele, Swinburne. Durante a década de 70 ele se ensaiou na poesia política, chegando até mesmo a ótimos resultados. Ela foi iniciada com a publicação Songs Before Sunrise em 1871, sem que isso queira dizer que apenas nesta década tenha ficado: na verdade, essa verve participativa de Swinburne se estendeu até o fim de sua carreira, e posso citar, para confirmá-lo, o soneto On the russian persecution of the jews em Tristam of Lyonesse and Other Poems (1882), um dos mais contundentes por parte do poeta. Songs Before Sunrise foi dedicado a Giuseppe Mazzini e possui como pano de fundo, em grande parte, a unificação da Itália. Nele temos poemas como Blessed among Women, que louva a figura de Adelaide Bono Cairoli, italiana mãe de cinco filhos, todos mortos durante o combate, Ode on the Insurrection in CanadaThe Litany of Nations (que novamente consegue usar o coro com grande perícia, em especial graças à anáfora em "By the"), The halt before Rome (conheço poucas aberturas tão esplêndidas quanto "Is it so, that the sword is broken, / Our sword, that was halfway drawn?") ou To Walt Whitman in America. Este último, um dos primeiros louvores a Whitman (e, como sabemos, Whitman será uma figura muito louvada a partir de então: pense-se por exemplo em Garcia Lorca, Drummond e Álvaro de Campos), revela também a faceta encomiástica da poesia de Swinburne, muito bem representada em específico pelo poema Ave Atque Vale, dedicado a Baudelaire, ou então as homenagens trilíngues (inglês, francês e latim) dedicadas a Gautier.

Já na década de 80 ele chegou a escrever coisas embebidas no medievo (como, de resto, era comum na produção dos pré-rafaelitas), o que pode ser visto no longo poema em dísticos Tristam of Lyonesse (1882; que reconta a lenda de Tristão e Isolda) ou num livro como A century of roundels (1883), em que Swinburne ressuscita a forma fixa rondel. O rondel é composto de três estrofes, cada qual com três versos mais um refrão. Os versos possuem o mesmo número de sílabas e o refrão, sempre repetido, possui no geral metade do tamanho. O esquema rímico é ABAR/BABR/ABAR (R: refrão).

Swinburne, além de poeta, foi crítico literário. E dos atentos. Ele estudou a poesia de Blake, Shakespeare, Chapman, Victor Hugo, Ben Jonson entre outros. Entre 1859 e 1868 ele chegou a compôr uma novela pornográfica intitulada Lesbia Brandon, que só foi publicada postumamente em 1952. No final da vida, Swinburne foi um nome muito cotado para o Nobel (o prêmio surgiu em 1901). A universidade de Indiana possui um ótimo site a respeito de Swinburne, o Swinburne Archiveaqui.

Swinburne não é nem foi muito traduzido no Brasil. Carlos Vogt traduziu o poema Dolores em 1991 (editora Pontes). Apesar de ser uma edição bem fácil de ser encontrada em sebos, não tive acesso a ela. Você pode ler uma resenha de Nelson Ascher sobre ela para a Folha de São Paulo, em 19 de outubro de 1991, aqui. Nelson Santander possui uma bela tradução para The Garden of Proserpine em seu tumblraqui. Décio Pignatari, num artigo de 18 de novembro de 1989 para a Folha de São Paulo (aqui), traduziu O Rei Davi ― o que eu ainda hoje acho uma escolha estranha por parte de Pignatari...

Em minha tradução, optei por um verso de medida maior que o original, isto é, um verso de doze sílabas para o pentâmetro de Swinburne, com fins a tentar expandir ao máximo a cadeia sonora de meu texto. Isso explica o porquê de minha solução "Ande, ande, andorinha". O original diz apenas: "Swallow, my sister, O sister swallow". Mas aqui, claro, nós temos uma poderosa aliteração em S, e não dava pra simplesmente passar por cima. Meu "ande, ande" dá uma ideia de impaciência, no sentido de "ande logo, desembuche!", o que destoa, eu reconheço, da placidez (pelo menos) do primeiro verso e dos outros que usam a fórmula "Swallow, my sister, O sister swallow". De todo modo, este não foi o único caso em que posso dizer que me afastei do original com fins a, por paradoxal que seja (num âmbito tradutório não é), justamente me aproximar dele.

§

P.S. (16/01/16): Descobri também que Péricles Eugênio da Silva Ramos e Jorge Wanderley possuem traduções de Swinburne. Péricles, que traduziu o coro inicial de Atalanta em Calidon, estampou sua versão em Poetas de Inglaterra, 1970. Existem momentos belos da tradução, como: "Oh! fôsse fogo o coração, e para ela se atirasse, / ah! fogo ou fôrça de correntes que fluindo saltam!" Já Jorge de Wanderley traduziu duas baladas do autor. Uma delas, A leave-taking, você pode ler aqui. É uma tradução esplêndida, esplêndida.





ÍTILO.

Ande, ande, andorinha, ó andorinha, ande,
      Responda: em teu coração cabe a primavera?
            Mas ela, a primavera, acaba e degenera!
O que você achou da primavera em diante?
      O que você achou em ti que cante e encante?
            O que você fará caso o verão desande?

Ande, ande, andorinha, ó andorinha, ande,
      Voe e responda porque para o sul se atira,
            O suave sul onde seu ser se retira.
Quem sabe a dor de agora a de outrora demande...
      E por isso a canção mora em tua cabeça?
            Ou você se esqueceu muito antes que eu me esqueça?

Irmã, ó minha irmã voando branda, ande,
      É longa a tua senda rumo ao sul e ao sol;
            Mas eu, repleta minh'alma de rouxinol,
Lanço meu canto ao alto e ao fundo e o torno grande,
      E, fulvo o corpo e amena a boca, ele alimenta
            O coração noturno co'a chama que esquenta.

Eu, rouxinol, durante a primavera inteira
      Ando, ando, andorinha, ó andorinha, ando,
            A primavera inteira ando até que interrompa,
E, assim como o rocio em cima da roseira,
      Eu canto enquanto as horas e aves vão passando,
            Vão voando e voando até que a aurora irrompa.

Irmã, ó minha irmã, ó andorinha branda,
      Se a glória mora ao lado de onde você more,
            Então como é possível que ela lhe apareça?
Aonde você anda minh'alma não anda,
      Até que a vida esqueça e a morte rememore
            Ou que você o rememore e eu me esqueça.

Ande, ande, andorinha, ó andorinha, ande
      A cantar. Andorinha, sente o que cantou?
            Você sente, andorinha? E o passado, passou?
Bom seguir seu senhor-verão onde ele ande
      E a primavera, sua amante, onde ela andara.
            Mas quanto à primavera: o que você dirá?...

Ande, ande, andorinha, ó andorinha, ande
      A flutuar. Meu peito é forja que aprimora
            Enquanto as ondas juntam-se em minha cabeça.
Mas caso você tarde e a te seguir eu ande,
      Então que eu mesmo esqueça ou você rememore,
            Ou você rememore e então eu me esqueça.

Voltívola e vacante, andorinha, vacante,
      A divisão do coração nos dividiu.
            O seu é a luz que sobre a planta reluziu;
O meu pula no pélago e procede adiante,
      Ao lugar em que Itilo foi assassinado:
            Mar da Trácia, onde em Dáulis o festim foi dado.

Ande, ande, andorinha, ó andorinha, ande,
      Insto que cante no hiato de uma lacuna.
            Pois não estão molhados telhado e coluna?
Esta teia sobre a qual é trivial que eu ande,
      Este cadáver e este rosto que floresça:
            Certo é que eu rememore ou que você se esqueça?

Irmã, irmã, você!, que primeiro nasceu!
      A mão que agarra, o pé que segue a senda e ruma,
            O sangue infantil cuja lástima é só uma:
Quem foi que se lembrou de mim? Quem se esqueceu?
      Andorinha!, se quem se esqueceu foi você,
            Entenda: o mundo finda assim que eu me esquecer.

§

ITYLUS.

Swallow, my sister, O sister swallow,
       How can thine heart be full of the spring?
               A thousand summers are over and dead.
What hast thou found in the spring to follow?
       What hast thou found in thine heart to sing?
               What wilt thou do when the summer is shed?

O swallow, sister, O fair swift swallow,
       Why wilt thou fly after spring to the south,
               The soft south whither thine heart is set?
Shall not the grief of the old time follow?
       Shall not the song thereof cleave to thy mouth?
               Hast thou forgotten ere I forget?

Sister, my sister, O fleet sweet swallow,
       Thy way is long to the sun and the south;
               But I, fulfilled of my heart's desire,
Shedding my song upon height, upon hollow,
       From tawny body and sweet small mouth
               Feed the heart of the night with fire.

I the nightingale all spring through,
       O swallow, sister, O changing swallow,
               All spring through till the spring be done,
Clothed with the light of the night on the dew,
       Sing, while the hours and the wild birds follow,
               Take flight and follow and find the sun.

Sister, my sister, O soft light swallow,
       Though all things feast in the spring's guest-chamber,
               How hast thou heart to be glad thereof yet?
For where thou fliest I shall not follow,
       Till life forget and death remember,
               Till thou remember and I forget.

Swallow, my sister, O singing swallow,
       I know not how thou hast heart to sing.
               Hast thou the heart? is it all past over?
Thy lord the summer is good to follow,
       And fair the feet of thy lover the spring:
               But what wilt thou say to the spring thy lover?

O swallow, sister, O fleeting swallow,
       My heart in me is a molten ember
               And over my head the waves have met.
But thou wouldst tarry or I would follow,
       Could I forget or thou remember,
               Couldst thou remember and I forget.

O sweet stray sister, O shifting swallow,
       The heart's division divideth us.
               Thy heart is light as a leaf of a tree;
But mine goes forth among sea-gulfs hollow
       To the place of the slaying of Itylus,
               The feast of Daulis, the Thracian Sea.

O swallow, sister, O rapid swallow,
       I pray thee sing not a little space.
               Are not the roofs and the lintels wet?
The woven web that was plain to follow,
       The small slain body, the flowerlike face,
               Can I remember if thou forget?

O sister, sister, thy first-begotten!
       The hands that cling and the feet that follow,
               The voice of the child's blood crying yet
Who hath remembered me? who hath forgotten?
       Thou hast forgotten, O summer swallow,
               But the world shall end when I forget.

Comentários

  1. Caralho, o pintor daquele quadro tava de sacanagem HUEHUEHUEUH

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    1. A feição física do Swinburne era por aí mesmo: magricela, cabeçudo e com madeixas ruivas esvoaçantes.

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