A ressonância acústica de Coleridge.



Conversation poems é como a crítica passou a se referir a um conjunto de oito poemas de Samuel Taylor Coleridge escritos entre 1795 e 1798. Especificamente, estes daqui: The Eolian Harp, Reflections on having left a Place of Retirement, This Lime-Tree Bower my Prison, Frost at Midnight, Fears in Solitude, The Nightingale: A Conversation Poem, Dejection: An Ode e To William Wordsworth. A crítica tomou como base o subtítulo em específico de Nightingale, que é este que traduzo pra vocês, e observou como essa sequência de oito poemas possui algumas características em comum.

Marcadamente, o fato de que são como que uma tentativa de transposição de matérias e conflitos morais ou de ordem intelectual para um plano poemático. O eu lírico começa com uma descrição da natureza e depois, numa espécie de conversa seja com um interlocutor definido, seja com um indefinido, ele passa a elucubrar acerca de questões abstratas, num verdadeiro devaneio ― e de tal modo que, verdade seja dita, na maior parte desses conversation poems o que notamos é muito mais um monólogo do que de fato um diálogo. O poeta emprega uma linguagem um tanto quanto límpida, um verso branco de uma fluência notável, o que amplia a força dialógica do poema no sentido de que o leitor consegue escutar de maneira bem clara e franca a voz de Coleridge. Muitos também são endereçados ou apresentam em algum momento a figura de esposa do poeta, Sara Fricker, ou então simplesmente trazem alguém próximo do círculo de Coleridge.

O poema foi publicado na coletânea Lyrical Ballads, de 1798, que, como bem sabemos, foi o marco inaugural do romantismo na Inglaterra. Na verdade, de maneira ainda mais específica, ele tecnicamente só foi publicado em tiragens posteriores da primeira edição, isto é, na tiragem inicial de junho de 1798 o poema não constava lá. Em seu lugar estava um poema intitulado Lewti, or the circassian love-chaunt. Foi só nas posteriores que ele entrou no lugar desse. Coleridge enviou o poema em 10 de maio do mesmo ano para Wordsworth, onde incluiu um poeminha que servia de prefácio:

        Em versos brancos, meu assunto
        É um rouxinol. Anexo-o junto
        À carta. Caro Wordsworth, leia.
        Meu texto vale o que gorjeia?
        Te direi minha opinião ―
        Ele não solta a voz em vão;
        Só bastarão algumas notas,
        Umas mal e outras bem dispostas,
        Para que se ouça com clareza
        Que nele inexiste baixeza.
        Tudo certo até aí; porém...
        Algo cai dele, veja bem!
        Mas, claro, que não cause espanto.
        Meu conto tem em conta um canto
        Pra que a harmonia se afine
        Æolio crepitû, non carmine.

[In stale blank verse a subject stale / I send per post my Nightingale; / And like an honest bard, dear Wordsworth, / You’ll tell me what you think, my Bird’s worth. / My own opinion’s briefly this – / His bill he opens not amiss; / And when he has sung a stave or so, / His breast & some small space bellow, / So throbs & swells, that you might swear / No vulgar music’s working there. / So far, so good; but then, ‘od rot him! / There’s something falls off at his bottom. / Yet, sure, no wonder should it breed. / That my bird’s Tail’s a tail indeed / And makes its own inglorious harmony / Æolio crepitu, non carmine]

Escrito em abril, o poema foi endereçado de maneira direta a Wordsworth e a sua esposa Dorothy (início da segunda estrofe). Bate de frente com a concepção vigente de que o rouxinol seria um animal melancólico, conforme, por exemplo, John Milton havia disposto em seu poema Il Penseroso: "Sweet Bird that shunn'st the noise of folly, / Most musicall, most melancholy!" ("Cantora de arte vasta, / melódica ave melancólica", na esplêndida tradução de Fabiano Seixas Fernandes para o nº 6 da Revista Literária em Tradução, aqui). Mas não só isso, na verdade. A ideia do rouxinol como uma ave melancólica advém da mitologia grega, seguindo-se o mito de Filomela. No mito, Filomela é estuprada por Tereu, rei da Trácia que havia se casado com a irmã de Filomela, Procne. Para que Filomela não conte o ocorrido, Tereu corta-lhe a língua. Mas ainda assim Filomela consegue, visto que ela borda o que havia acontecido e mostra para sua irmã. Procne mata o filho que tivera com Tereu e serve a carne para que o marido coma. Quando Tereu descobre o que Procne fizera, ele persegue as duas, no que ambas pedem ajuda aos deuses para fugirem e os deuses as transformam em pássaros: Filomela num rouxinol e Procne numa andorinha. Essa história é contada de maneira bem detalhada e horripilante no livro VI das Metamorfoses de Ovídio, onde ele inclui uma terceira irmã, Itys, que se transforma num pintassilgo, e diz que Tereus se transforma também num pássaro, uma poupa (haja vista a descrição que Ovídio faz do pássaro: "Fix'd on his head, the crested plumes appear, / Long is his beak, and sharpen'd like a spear"; tradução de Dryden). Há também o mito de Altea e Ítilo. Altea, querendo matar um filho de Níobe, pois sentia inveja da fecundidade de Níobe, acaba matando seu próprio filho Ítilo por engano. Ela fica tão triste que os deuses a transformam num rouxinol.

No caso, Coleridge como que busca refutar tanto uma como outra concepção, abordando a ideia da natureza como sendo sempre rejuvenescedora. Aqui o poeta ainda está num ânimo bastante alegre, muito o contrário do estado de espírito que ele apresentaria anos depois num poema como Dejection: a Ode (compare-se por exemplo com a passagem de Dejection em que o poeta nos conta de quando, criança, ele teve de dormir ao relento no solo úmido da floresta, gritando por socorro). Esse poema de Coleridge se inscreve numa longa tradição de poemas referentes a pássaros na lírica de língua inglesa, realmente notável neste quesito: podemos dizer que ela como que se inicia com o parlamento dos pássaros em Chaucer, passa depois para os pássaros que aparecem em Shakespeare (por exemplo as metáforas referentes à falcoaria que trespassam a obra do Bardo inteira, ou então o pássaro preso num cordão que Julieta usa pra ilustrar como desejaria que fosse seu amor, ou mesmo o poema The Phoenix and the Turtle, isto é, "A Fênix e a Rola"), passa pelo rouxinol melancólico de Milton e vai até os românticos: Coleridge tinha seu rouxinol (na verdade, dois rouxinóis: num poema anterior intitulado To the Nightingale, Coleridge segue o clichê do rouxinol como ave melancólica), mas Wordsworth também escreveu um poema para a ave, e, décadas depois, John Keats escreveria a belíssima Ode on a Nightingale. Shelley possui um poema igualmente estupendo sobre uma ave: To a skylark. Já na segunda metade do século, é impossível não se lembrar do Corvo de Edgar Allan Poe ou da esperança metaforizada numa avezinha naquele poema de Emily Dickinson (na verdade, Dickinson possui muitos outros poemas sobre pássaros...). Já na poesia moderna (esta não é uma listagem que nem de longe se pretende exaustiva), vem-me à cabeça Wallace Stevens olhando de trinta maneiras para um melro e Yeats dizendo que, no Segundo Advento, o falcão já não escuta o falcoeiro. Mas também não custa lembrar que o mito de Filomela está presente na segunda parte do The Waste Land e que Marianne Moore, em Bird-Witted, cria um poema cuja estrutura sonora é o correspondente fônico-ornitológico do som desses adoráveis bichinhos.

Paro por aqui. Acho que já deu pra ter uma ideia. Os conversation poems de Coleridge foram influentes em língua inglesa, tanto que encontram correspondentes diretos na poesia de muitos românticos (Wordsworth, Keats, Shelley) mas também em poetas posteriores como Whitman e Auden.

Existem duas passagens desse poema de Coleridge que eu acho inesquecíveis. Eu poderia dizer, na verdade, três, se considerássemos também a rejeição que Coleridge faz do lavor poético incansável em prol de uma simples esticada de pernas e visita à natureza. Algo que, se por um lado pode fazer com que muitos torçam o nariz, por outro lado certamente ganharia a simpatia de, por exemplo, qualquer haicaísta que se preze. Eu aponto, antes, a imagem que Coleridge faz daquele lugar onde ele encontrou um monte de rouxinóis piando. Essa dama que aparece alguns versos antes é Ellen Cruikshank, irmã de um amigo de Coleridge, e o castelo mencionado é o de Enmore. A construção de Coleridge é tão bem cuidada que essa passagem é daquelas que eu vou guardar até o túmulo, sem exagero algum. Ele faz com que nós nos embrenhemos naquele local em específico, descrevendo seu clima de abandono e aos poucos mostrando o canto das aves que vão respondendo uma à outra. Até que isso tudo se multiplica e nos inunda, mas a tal ponto que, se por acaso fecharmos os olhos, nós até nos esqueceríamos que não era dia. Um poeta menos atento jamais chegaria a uma formulação assim.

A outra passagem está no final do poema. O filho de Coleridge, Hartley (nascido em 1796), estava chorando e aí Coleridge corre e o leva pra fora, no sereno, pra que ele se asserene. É uma passagem muito bonita e que, de novo, me tocou bastante. Tanto pelo gesto de Coleridge quanto pela forma como ele não se preocupa em dar exatamente um porquê para seu gesto. Ele simplesmente confia na natureza como algo rejuvenescedor e quer que seu filho também cresça num ambiente natural.

Só isso já bastava pra que me metesse a traduzir o poema. E aqui estamos. A partir do momento em que a poesia de Coleridge não é muito traduzida no país, os conversation poems, por tabela, também necas. Sei apenas de uma tradução de Arthur Nestrovski para o poema Frost at Midnight, "Geada à Meia-Noite", inclusa no livro Artepensamento, editora Cia das Letras, 1994. Infelizmente, só.


O ROUXINOL:
UM POEMA CONVERSACIONAL.

Nem nuvens nem relíquias do crepúsculo
Distinguem o Ocidente, nem lampejo
Súbito, nem matiz obscuro e trêmulo.
Vem, vamos descansar na ponte antiga.
Mais à frente você vê o fluxo rútilo,
Mas não ouve o murmúrio: ele flui quieto
Em verde cama. Tudo está calado,
Noite suave!, e entre estrelas, trevas.
Vamos pensar em chuvas vernais sobre
A terra verde, e nós encontraremos
Alegria entre as trevas das estrelas.
E, ouça!, o rouxinol começa o canto,
Pássaro "musical e melancólico"!
Melancólico? Ó lânguida noção!
Na Natureza nada é melancólico.
Um viajante cujo peito a marca
De lembranças penosas bem se vê,
De rejeitado amor, lenta intempérie
(E, infeliz!, enche tudo com si mesmo,
E faz que os sons gentis contem de volta
A sua dor), ele, e os que são como ele,
Nomeou tais notas de melancólicas:
E assim vários poetas repercutem-no,
Poetas que erigiram suas rimas
Quando melhor era alongar as pernas
Frente ao riacho dum bosque musgoso,
À luz do sol ou lua, nos influxos
De sons e formas e ágeis elementos
Dominando seu ser, seu canto e fama
Esquecida!, com fins que sua fama
Partilhe a eternidade natural,
Coisa mais venerável!, e que seu canto
Faça da Natureza mais amável,
E, dele, amável como a Natureza!
Mas não será assim: coisas poéticas,
Que perdem os crepúsculos de Abril
Em bailes e teatros, inda assim
Cheias de doce simpatia deixam
Rastro na dó que Filomela clama.

Meu Caro, e tu, Irmã!, nós aprendemos
Um amor diferente: a voz tão álacre
Da Natureza, não a profanemos!
É o rouxinol feliz que precipita,
Que apressa e que amontoa com gorjeio
Rápido e espesso as notas prazerosas,
Como temesse que o luar de Abril
Lhe fosse curto para que expressasse
Sua canção-de-amor, e lhe aliviasse
De toda a sua música!

                                         Conheço
Um vasto bosque, que um castelo cinge,
Onde não mais habitam lordes; neste
Bosque selvagem urde o matagal,
O adorno arruinou-se e a grama, fina,
E os ranúnculos crescem no caminho.
Mas tantos rouxinóis noutro lugar
Eu não vi jamais; longe, perto e longe,
No tronco ou mata e pelo bosque inteiro,
Respondiam ao seu e ao outro canto
Com passagens ferrenhas, caprichosas,
No musical murmúrio de seus pios,
Um desses pios mais doce que todos ―
Agitando a atmosfera com harmonia
Tanto que, ao fechar o olho, você quase
Se esquece que não era dia! O arbusto,
Cujas folhas o orvalho aos poucos abre ―
No arbusto você quase os vê piando,
Os olhinhos que brilham, brilham, brilham,
Com vaga-lumes que no escuro luzem
O seu facho-de-amor!

                                    Mas uma Dama,
Que morava em seu lar hospitaleiro
Cingindo p'lo castelo, e que na véspera
(Como uma dama que dissesse juras
A um algo além da Natureza e bosque)
Passeou pelas trilhas; ela sabe
Nota por nota e, ah!, sabe o instante,
Toda a lua coberta pelas nuvens,
De escutar o silêncio, até que a lua
Enfim emerja e acorde terra e céu
Com uma sensação, e estas tais aves
Surpreendam num coro-menestrel,
Qual se uma ventania então passasse
Por mil harpas aéreas! E ela viu
Os rouxinóis pousarem iguais tontos
Em notas florescentes que a aragem
Entoa, e ouviu neste cantar um som
Como um contentamento que enaltece.

Adeus! Adeus, gorjeio! Até amanhã,
E vocês, meus amigos... Até breve!
Nós nos tardamos muito, mas foi bom.
Todos, pra casa. ― A nota... Novamente!
Novamente me atrasa! Ó meu bebê,
Que, não podendo articular a fala,
Com a imitação tudo desfigura;
Como poria as mãos sobre o ouvido,
Sua mãozinha, o indicador pro alto,
E pediria: "Escutem!" Julgo sábio
Que o tornemos um par da Natureza.
Ele conhece a aurora; quando acordou
Amargurado (alguma dor interna
Formou-se nele, um sonho de criança ―),
Eu o levei correndo pro jardim,
E, ao contemplar a lua, se acalmou,
Suspendeu seu choro e sorriu calado,
Com seus olhos e lágrimas não-caídas
Que luziam à luz da lua! Bem ―
Isso quem conta é um pai: Porém se o Céu
Me der vida, meu filho há de crescer
Familiarizado com estes cantos,
Pra que associe a noite à alegria. ―
De novo, adeus! Ó doce rouxinol,
Adeus! De novo, meus caros, adeus!


THE NIGHTINGALE:
A CONVERSATION POEM.

No cloud, no relique of the sunken day
Distinguishes the West, no long thin slip
Of sullen light, no obscure trembling hues.
Come, we will rest on this old mossy bridge!
You see the glimmer of the stream beneath,
But hear no murmuring : it flows silently,
O’er its soft bed of verdure. All is still,
A balmy night! and though the stars be dim,
Yet let us think upon the vernal showers
That gladden the green earth, and we shall find
A pleasure in the dimness of the stars.
And hark! the Nightingale begins its song,
‘Most musical, most melancholy’ bird!
A melancholy bird! Oh! idle thought!
In nature there is nothing melancholy.
But some night-wandering man, whose heart was pierced
With the remembrance of a grievous wrong,
Or slow distemper, or neglected love,
(And so, poor wretch! filled all things with himself,
And made all gentle sounds tell back the tale
Of his own sorrow) he, and such as he,
First named these notes a melancholy strain.
And many a poet echoes the conceit;
Poet who hath been building up the rhyme
When he had better far have stretched his limbs
Beside a brook in mossy forest-dell,
By sun or moon-light, to the influxes
Of shapes and sounds and shifting elements
Surrendering his whole spirit, of his song
And of his fame forgetful! so his fame
Should share in Nature’s immortality,
A venerable thing! and so his song
Should make all Nature lovelier, and itself
Be loved like Nature! But ’twill not be so;
And youths and maidens most poetical,
Who lose the deepening twilights of the spring
In ball-rooms and hot theatres, they still
Full of meek sympathy must heave their sighs
O’er Philomela’s pity-pleading strains.

   My Friend, and thou, our Sister! we have learnt
A different lore : we may not thus profane
Nature’s sweet voices, always full of love
And joyance! ’Tis the merry Nightingale
That crowds, and hurries, and precipitates
With fast thick warble his delicious notes,
As he were fearful that an April night
Would be too short for him to utter forth
His love-chant, and disburthen his full soul
Of all its music!

                         And I know a grove
Of large extent, hard by a castle huge,
Which the great lord inhabits not; and so
This grove is wild with tangling underwood,
And the trim walks are broken up, and grass,
Thin grass and king-cups grow within the paths.
But never elsewhere in one place I knew
So many nightingales; and far and near,
In wood and thicket, over the wide grove,
They answer and provoke each other’s song,
With skirmish and capricious passagings,
And murmurs musical and swift jug jug,
And one low piping sound more sweet than all—
Stirring the air with such a harmony,
That should you close your eyes, you might almost
Forget it was not day! On moonlight bushes,
Whose dewy leaflets are but half disclosed,
You may perchance behold them on the twigs,
Their bright, bright eyes, their eyes both bright and full,
Glistening, while many a glow-worm in the shade
Lights up her love-torch.

                                       A most gentle Maid,
Who dwelleth in her hospitable home
Hard by the castle, and at latest eve
(Even like a Lady vowed and dedicate
To something more than Nature in the grove)
Glides through the pathways; she knows all their notes,
That gentle Maid! and oft a moment’s space,
What time the moon was lost behind a cloud,
Hath heard a pause of silence; till the moon
Emerging, hath awakened earth and sky
With one sensation, and those wakeful birds
Have all burst forth in choral minstrelsy,
As if some sudden gale had swept at once
A hundred airy harps! And she hath watched
Many a nightingale perch giddily
On blossomy twig still swinging from the breeze,
And to that motion tune his wanton song
Like tipsy joy that reels with tossing head.

   Farewell! O Warbler! till to-morrow eve,
And you, my friends! farewell, a short farewell!
We have been loitering long and pleasantly,
And now for our dear homes.—That strain again!
Full fain it would delay me! My dear babe,
Who, capable of no articulate sound,
Mars all things with his imitative lisp,
How he would place his hand beside his ear,
His little hand, the small forefinger up,
And bid us listen! And I deem it wise
To make him Nature’s play-mate. He knows well
The evening-star; and once, when he awoke
In most distressful mood (some inward pain
Had made up that strange thing, an infant’s dream.—)
I hurried with him to our orchard-plot,
And he beheld the moon, and, hushed at once,
Suspends his sobs, and laughs most silently,
While his fair eyes, that swam with undropped tears,
Did glitter in the yellow moon-beam! Well!—
It is a father’s tale: But if that Heaven
Should give me life, his childhood shall grow up
Familiar with these songs, that with the night
He may associate joy.—Once more, farewell,
Sweet Nightingale! once more, my friends! farewell.

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