"Depressão: Uma Ode", de Coleridge.

Publicado originalmente no escamandro.




Na última minha contribuição para o escamandro, havia traduzido a famosa Ode de Wordsworth, no que disse que Coleridge foi influenciado pelo poema do amigo ao escrever Dejection: an Ode. Então, voilà.

Como Coleridge já foi apresentado pelo colega Adriano Scandolara em postagens passadas, não me preocupo em fazê-lo. O poema foi escrito em abril de 1802 e primeiramente publicado no Morning Post em 4 de outubro do mesmo ano, só aparecendo em livro numa coletânea de 1817 chamada Sibylline Leaves. Dejection: an Ode é um produto do que hoje a crítica tende a caracterizar como a produção dos chamados Lake Poets, ou seja, poetas que viveram, no virar do século XIX, na região de Lake District na Inglaterra. Além de Wordsworth e Coleridge, que, sozinhos, já são capazes de sustentar uma alcunha assim, o nome de Robert Southey (1774-1843) também é digno de nota. Mas é também, no contexto do livro em que foi publicado e no contexto da obra de Coleridge como um todo, um verdadeiro ápice, ainda mais se considerarmos que a obra Sibylline Leaves possui um amplo espectro, indo de poemas políticos à éclogas-bélicas (Fire, Famine and Slaughter), poemas infantis (Answer to a Child's Question) e poemas de amor como The Eolian Harp, dedicado a Sara Hutchinson. O mesmo pode ser dito do espectro formal, que vai do ballad meter dA Balada do Velho Marinheiro ao entrecorte métrico (do qual Dejection: an Ode continua sendo um ápice) e do soneto aos versos brancos.

Sobre essa Sara Hutchinson que me referi, é com ela que o poema conversa, isto é, ela é a Lady do poema. Naquele clima familiar gostoso que envolvia os dois grandes poetas e suas famílias, Coleridge se encontrou pela primeira vez com Sara em 1799 (ela era cunhada de Wordsworth). Por pelo menos dez anos esse encontro teria um impacto profundo em sua obra. Uma versão anterior do poema, com 340 versos e conhecida como "versão S. H." (S. H. é uma abreviatura para Sara Hutchinson), é muito mais íntima e se refere de maneira explícita a Wordsworth e a Sara. O contrário da versão posterior e definitiva de 139 versos, muito mais impessoal e, portanto, seguindo os preceitos que o próprio Coleridge destacou como próprios de um bom poema: "Uma segunda premissa da genialidade é a escolha de assuntos remotos de interesses privados e circunstâncias próprias do escritor. Até onde sei, de todo assunto retirado imediatamente das experiências e sensações pessoais do autor, a excelência de um poema em particular só pode ser equívoca, e com frequência uma promessa falaciosa de genuíno poder poético." (Biographia Literaria, capítulo XV.) O formato final do poema permite também uma condensação poética maior e mais própria aos volteios gerais da poesia de Coleridge, dona de uma máquina imagética um tanto quanto célebre (provavelmente influenciada por seu consumo contumaz de ópio).

Se considerarmos a famosa leitura que Cleanth Brooks faz da Ode de Wordsworth, dentro de suas premissas gerais tanto do close reading quanto da linguagem da poesia como linguagem do paradoxo, e, por conseguinte, da poesia como uma urna bem urdida (well wrought urn) que resolve, que aplaca tais contradições em seu interior, então certamente o poema de Coleridge tem muito a oferecer. Afinal de contas, como o poema pode ser uma ode à depressão? Tendo em vista a epígrafe e suas veredas tormentosas de renovação (a ideia de que a Lua Nova nina a Lua Velha e que, com base nisso, somos capazes de perceber que as coisas ficarão cruentas daqui pra frente), então creio que podemos chegar a uma resposta até satisfatória.

Pois o poema de Coleridge se movimenta a partir do júbilo e da impossibilidade de se comunicar ou mesmo de se sentir esse júbilo. Não existe aquele respaldo deífico que víamos na infância wordsworthiana, mesmo porque, enquanto Wordsworth teve uma infância saudável, o caso de Coleridge foi um pouco mais grave: reza a lenda que um dia ele, ainda criança, brincando com o irmão, acabou se perdendo de casa e teve que passar a noite num solo úmido e frio (meio o que ele relata no final da estrofe VII), o que afetaria de maneira grave sua saúde (e de fato, muito da obra de Coleridge pode ser lido à luz de seus problemas de saúde, como no caso de Manuel Bandeira). Ou então, colocando nos termos de Harold Bloom, estamos falando de um sublime que implica uma perda diferente da perda exposta no poema de Wordsworth. É que enquanto lá essa perda se associava à perda física da infância (o que Coleridge tratará em seu Sonnet to the River Otter, por exemplo), em Dejection: an Ode temos o eu lírico se dirigindo a alguém vivo e que provavelmente até pode ouvi-lo; o problema é que, embora o poeta veja tamanho esplendor à sua frente (final da segunda estrofe), ele não pode comunicar o que vê (terceira estrofe). Esta a grande cisão que se incute no poema de Coleridge, e esta a raiz da depressão que se alastra em seus versos.

É, creio também, o sustentáculo da ambiguidade no título, visto que o que o deprime é a um só tempo o que o fortalece. Não é preciso muito, afinal de contas, para encontrarmos exemplos em toda a poesia de situações em que o poeta celebre aquilo que lhe cerceia. A impressão de grandiosidade que Dejection: an Ode dá reside, claro, na qualidade do poema, e, se quisesse discorrer um pouco mais a respeito disto, poderia remeter à forma hábil com que Coleridge maneja o embate entre sentimentos de júbilo e sentimentos depressivos ao mesmo tempo que conduz uma volta por cima que subjaz quase que imperceptivelmente o solo do poema, o que sua forma entrecortada, sua sonoridade privilegiada e suas imagens via de regra crescentes (por exemplo o movimento da tempestade na segunda metade da primeira estrofe ou o brilho lunar na segunda metade da segunda) ajudam a construir; mas tal impressão de grandiosidade não reside apenas aí, podendo ser lida, sem que necessitemos partir de um juízo prévio de valor, na grandiloquência com que Coleridge trata seu assunto, buscando sempre intumescer seu assunto (um momento interessante é na estrofe II, em que, se analisarmos os extremos, notamos que Coleridge intumesce primeiro um sentimento de clausura e depois um sentimento de encanto) e sempre lúcido acerca daquilo que fala: sobre isso, note-se como ele já começa criticando o fato do bardo que escreveu a balada de Sir Patrick Spence não estar a par do clima ou note, na curta estrofe III, a meu ver um dos ápices da depressão ao longo do poema, como o eu lírico sabe muito bem o que lhe falta, isto é, ele não se embate face ao ignoto e sim face à perda. Pois sobre isso da celebração enraizar-se na fonte de nossa penúria, faço notar o final da Ode de Wordsworth, onde víamos o poeta dizer que no menor florescer é possível serem geradas meditações profundas demais para as lágrimas. Não é esta, grosso modo, a mesma coisa que Coleridge nos diz?

Quem quiser um ótimo estudo sobre o poema pode ler A Study of Coleridge's "Dejection: An Ode", de William Shurr (1958). Não sei se existem outras traduções do poema em português.



DEPRESSÃO: UMA ODE.

       Tarde, tarde, vi a Lua Nova
       Ninando a Lua Velha;
       Temi, temi, ó Mestre!
       A tormenta será vermelha.
       (Balada de Sir Patrick Spence.)

I
Ah! o bardo estivesse a par do clima, posto
       Que ele fez a balada de Sir Patrick Spence,
        Bem saberia que a este luar não pertence
Manter-se calmo, ao temporal predisposto
Mais que ao moldar de nuvens em flocos relapsos,
Ou ao rascunho oco que pranteia em lapsos
E lustra a mudez deste eólico alaúde,
               Mas amiúde.
       Pois... O brilho da Lua Nova
       Com sua luz igual à cova!,
       (Que flutua entre a correlata
       Argola de fios de prata)
Eu vejo a Lua Velha em seu colo, agourando
       A chuva que já vem e a tempestade imensa.
E oh!, o vendaval fosse brisa e fosse brando
       E a chuva à noite fosse ágil e fosse densa!
Com frequência acordei com estes sonhos medonhos,
              No que meus sonhos,
Hoje talvez fugindo, ganhassem impulso
E assustassem a dor, enrijecendo o pulso.

II
Uma aflição isenta de agonia e treva,
       Uma aflição inerte e desapaixonada
       Que não encontra escape nem consolo em nada ―
              E assim a dor a leva ―
Ó Senhora!, uma vez pálido e desalmado,
Cheio de ideias que ouço gorjear a meu lado,
       Durante o longo dia anterior, singelo,
Perambulei à toa sob o céu do Oeste
       Com seu peculiar matiz verde-amarelo:
E ainda o faço ― e ainda a dor me reveste!
E as nuvenzinhas como flocos mais acima,
À luz da cúpula estrelada que as anima
E que, flutue atrás ou então flutue entre,
Cintile ou mesmo ofusque-se, em nossa vista adentre:
E esta Lua crescente, fixa tal se fosse
Crescendo em seu riacho inestrelado e doce;
Eu vejo vocês todos em vossa excelência,
E, mais que sentir, vejo vossa graça imensa!

III
              Meu gênio falha;
              Pois que me valha
Tê-los, se tê-los não aplaca a dor em mim?
              Seria vão,
              Por mais que eu não
Tivesse aquele verde, e o buscasse sem fim:
Já não espero formas externas me deem
O amor e a vida, que só elas nos proveem.

IV
Senhora!, recebemos nós o que nós damos,
E a Natureza vive conforme vivamos:
Nossa a sua grinalda, nosso o seu sudário!
       E procurássemos um nada ou então tudo,
Dentre o que permitisse o mundo, este calvário,
À turba sem amor, de ardor desnecessário,
       Então seria o próprio espírito graúdo
Que lançaria a glória sobre este cenário
              E sobretudo ―
E de dentro do espírito lançar-se-ia
       Um doce som potente, vindo do berçário,
Que nenhum no mundo iguala em energia!

V
Pura de coração!, não precisa indagar-me
Sobre o que é esta música ou qual é o seu charme!
Nem o que é, e onde existe,
Esta luz, névoa cintilante que consiste
Em ser bela e a um só tempo criar a beleza.
       Alegria, Senhora, ah!, alegria inédita
Salvo aos mais puros no ápice de sua pureza ―
Vida, e efluência Vital, rio e correnteza
E alegria, Senhora!, o espírito e a proeza,
Que a Natureza deu-nos ao dar a pureza
       Súbita
De um novo Continente e um novo Firmamento ―
Alegria a voz doce, o céu, seu luzimento ―
              Nosso ser se ufana!
E assim flui tudo o que ouve, que encanta ou que avista,
       E toda a música que desta voz emana,
E a plêiade de cores que na luz exista.

VI
Houve um tempo em que, embora áspero o caminho,
       Esta alegria minha flertara co'a dor,
E os infortúnios todos eram o escaninho
       Onde o Desejo fez-me alegre sonhador:
Pois a esperança a meu redor, tal como a vinha,
Cresceu, no que pensei meu o fruto e a flor, minha.
Mas hoje a aflição faz com que eu me resvale:
Não me importo roubarem tudo o que mais vale;
              Mas as visitas!...
Fazem que o que a Natureza me deu, se cale,
       Meu espírito informe da Imaginação.
Pois ignorar o que preciso é o que sinto,
       Uma vez que só posso seguir firme e são;
E assim, alegremente mentir como eu minto
       A mim mesmo ao roubar de mim o ser humano ―
       Este o meu único recurso e único plano:
Até a parte que apodrece o todo inteiro
E que hoje me possui como seu prisioneiro.

VII
Meditações ofídias que em mim serpenteiam,
              Pesadelo dos fatos!,
Deixo vocês e escuto os ventos que pranteiam
       Despercebidos até hoje. Ah, insensatos
Gritos de pavor, longos, longos, que o alaúde
Nos trouxe! Você, vento, em sua solitude,
       Despenhadeiro seco, pico ou estraçalho
Ou bosque de pinheiros longe do machado
Ou casarão vazio e mal-assombrado
       Penso te ajudariam mais em teu trabalho ―
Ó maestro lunático! que, em mês chuvoso,
Quando o jardim marrom-escuro é copioso,
Faz, em gáudio satânico, e com canções frias,
Dançarem juntos botões, brotos, ventanias.
       Você, Ator, perfeito em seus trágicos gestos!
Você, grande Poeta, em bravo frenesi!
              O que me diz?
              É a pressa do anfitrião a caminho, infeliz,
       Massacrado e com cortes fundos e funestos ―
Urrando e quase morto ao dar conta de si!
       E todo este barulho, de exército em rota,
Com calafrios trêmulos ― então acaba ―
       E o conto que é contado se abranda e se embota!
              Não nos assusta,
              Mas a dor susta
Tal como Otway compusera seus poemas, ―
              De um menininho
              Que, sozinho,
Foi se perder do lar e só encontrou problemas:
E agora chora bem baixo, e agora tem medo,
E agora grita e quer que a mãe o ache o mais cedo.

VIII
É meia-noite e nem sequer penso no sono:
São poucos os que creem nisto se o menciono!
Visite-a, gentil Sono, com asas de cura,
       E que a tormenta ao fim das contas seja brisa,
E que o céu estrelado vele-a co'a ternura
       De ver o sono que na Terra se enraíza!
              Descansada, ela acorda
              E a alegria transborda
       De seus gestos, e a ergue, e aviva sua cor;
Por ela, as coisas sigam vivas, ponta a ponta,
E vivas rodopiem a vida sem conta!
       Ó espírito gentil, guiado pelo amor,
Senhora!, amiga a quem tenho em alto valor,
Grande, grande há de ser todo o teu esplendor.

§

DEJECTION: AN ODE.

       Late, late yestreen I saw the new Moon,
       With the old Moon in her arms;
       And I fear, I fear, my master dear!
       We shall have a deadly storm.
       (Ballad of Sir Patrick Spence)

I


WELL! If the Bard was weather-wise, who made

       The grand old ballad of Sir Patrick Spence,
       This night, so tranquil now, will not go hence
Unroused by winds, that ply a busier trade
Than those which mould yon cloud in lazy flakes,
Or the dull sobbing draft, that moans and rakes
Upon the strings of this Æolian lute,

              Which better far were mute.
       For lo! the New-moon winter-bright!
       And overspread with phantom light,
       (With swimming phantom light o’erspread
       But rimmed and circled by a silver thread)
I see the old Moon in her lap, foretelling

       The coming-on of rain and squally blast,
And oh! that even now the gust were swelling,

       And the slant night-shower driving loud and fast!
Those sounds which oft have raised me, whilst they awed

              And sent my soul abroad,
Might now perhaps their wonted impulse give,
Might startle this dull pain, and make it move and live!

II
A grief without a pang, void, dark, and drear,

       A stifled, drowsy, unimpassioned grief,
       Which finds no natural outlet, no relief,
              In word, or sigh, or tear—
O Lady! in this wan and heartless mood,
To other thoughts by yonder throstle woo’d,

       All this long eve, so balmy and serene,
Have I been gazing on the western sky,

       And its peculiar tint of yellow green;
And still I gaze—and with how blank an eye!
And those thin clouds above, in flakes and bars,
That give away their motion to the stars:
Those stars, that glide behind them or between,
Now sparkling, now bedimmed, but always seen;
Yon crescent Moon, as fixed as if it grew
In its own cloudless, starless lake of blue;
I see them all so excellently fair,
I see, not feel, how beautiful they are!

III
              My genial spirits fail;
              And what can these avail
To lift the smothering weight from off my breast?
              It were a vain endeavour,
              Though I should gaze for ever
On that green light that lingers in the west;
I may not hope from outward forms to win
The passion and the life, whose fountains are within.

IV
O Lady! we receive but what we give,
And in our life alone does Nature live;
Ours is her wedding-garment, ours her shroud!

       And would we aught behold, of higher worth,
Than that inanimate cold world allowed
To the poor loveless ever-anxious crowd,

       Ah! from the soul itself must issue forth
A light, a glory, a fair luminous cloud

              Enveloping the Earth—
And from the soul itself must there be sent
       A sweet and potent voice, of its own birth,
Of all sweet sounds the life and element!

V
O pure of heart! thou need’st not ask of me
What this strong music in the soul may be!
What, and wherein it doth exist,
This light, this glory, this fair luminous mist,
This beautiful and beauty-making power.

       Joy, virtuous Lady! Joy that ne’er was given,
Save to the pure, and in their purest hour,
Life, and life’s effluence, cloud at once and shower,
Joy, Lady! is the spirit and the power,
Which wedding Nature to us gives in dower,

       A new Earth and new Heaven,
Undreamt of by the sensual and the proud—
Joy is the sweet voice, Joy the luminous cloud— 

              We in ourselves rejoice!
And thence flows all that charms or ear or sight,

       All melodies the echoes of that voice,
All colours a suffusion from that light.

VI
There was a time when, though my path was rough,

       This joy within me dallied with distress,
And all misfortunes were but as the stuff

       Whence Fancy made me dreams of happiness:
For hope grew round me, like the twining vine,
And fruits, and foliage, not my own, seemed mine.
But now afflictions bow me down to earth:
Nor care I that they rob me of my mirth;

              But oh! each visitation
Suspends what nature gave me at my birth,

       My shaping spirit of Imagination.
For not to think of what I needs must feel

       But to be still and patient, all I can;
And haply by abstruse research to steal

       From my own nature all the natural man—
       This was my sole resource, my only plan;
Till that which suits a part infects the whole,
And now is almost grown the habit of my soul.

VII
Hence, viper thoughts, that coil around my mind,

              Reality’s dark dream!
I turn from you, and listen to the wind,

       Which long has raved unnoticed. What a scream
Of agony by torture lengthened out
That lute sent forth! Thou Wind, that rav’st without,

       Bare crag, or mountain-tairn, or blasted tree,
Or pine-grove whither woodman never clomb,
Or lonely house, long held the witches’ home,

       Methinks were fitter instruments for thee,
Mad Lutanist! who in this month of showers,
Of dark-brown gardens, and of peeping flowers,
Mak’st Devils’ yule, with worse than wintry song,
The blossoms, buds, and timorous leaves among.

       Thou Actor, perfect in all tragic sounds!
Thou mighty Poet, even to frenzy bold!

       What tell’st thou now about?
              ’Tis of the rushing of an host in rout,
              With groans of trampled men, with smarting wounds—
At once they groan with pain and shudder with the cold!
But hush! there is a pause of deepest silence!

       And all that noise, as of a rushing crowd,
With groans, and tremulous shudderings—all is over—

       It tells another tale, with sounds less deep and loud!
              A tale of less affright,
              And tempered with delight,
As Otway’s self had framed the tender lay.

              ’Tis of a little child,
              Upon a lonesome wild,
Not far from home, but she hath lost her way;
And now moans low in bitter grief and fear,
And now screams loud, and hopes to make her mother hear.

VIII
’Tis midnight, but small thoughts have I of sleep:
Full seldom may my friend such vigils keep!
Visit her, gentle Sleep! with wings of healing,

       And may this storm be but a mountain-birth,
May all the stars hang bright above her dwelling,

       Silent as though they watched the sleeping Earth!
              With light heart may she rise,
              Gay fancy, cheerful eyes.
       Joy lift her spirit, joy attune her voice;
To her may all things live, from pole to pole,
Their life the eddying of her living soul!

       O simple spirit, guided from above,
Dear Lady! friend devoutest of my choice,
Thus may’st thou ever, evermore rejoice.

Comentários