"Consertando o muro", de Robert Frost.




Frost possui uma frase famosa, advinda de uma conversa gravada em Conversations on the Craft of Poetry (1959): "I could define poetry this way: it is that which is lost out of both prose and verse in translation." Geralmente apenas: "Poetry is what gets lost in translation." Que eu me meta a traduzir um poema de quem disse isso não deixa de ser uma ousadia de minha parte. Não sei a que ponto isso explica o baixíssimo número de traduções do autor, como se os tradutores estivessem feridos com uma afirmação tão peremptória como esta. Sabemos que a posição de Frost, que na verdade é a de muitos, é reducionista, e ignora o grande bem que a tradução faz dentro das complexas trocas culturais (ou simplesmente da cultura enquanto um todo, ou seja, cultura enquanto coisa aberta e não fechada), para além do fato de que se aferra meramente à consequência da perda.

Sim, perdas são inevitáveis, mas isso não quer dizer que tradução só seja perda. Dentre as várias operações tradutórias possíveis, existe a adição, a substituição, o enxerto, a intensificação, o abrandamento, o esclarecimento, o obscurecimento, a própria perda, a manutenção, a compensação... A análise tradutória não se limita a apontar, com um gáudio muitas vezes infantil, os detalhezinhos que o tradutor cortou, pois, para além da ampla gama de ferramentas que o tradutor se utiliza para conseguir o melhor resultado, existem aspectos e aspectos do poema, isto é, existem coisas mais importantes e existem coisas mais importantes de serem mantidas. Claro que isso é muito debatível, e aqui estamos entrando no fantástico mundo da tradução enquanto crítica; de todo modo, é o suficiente pra que se derrube a tese simplista de que ater-se à tradução é uma perda de tempo, pois estamos falando de restos ou que o valha.

Além dessa frase de Frost, existem outras, muitas outras. Marcos Souza cita outras pérolas do poeta no começo de seu artigo Nel mezzo del cammin...aqui. Como você poderá ver, além de frases célebres, alguns versos de Frost entraram no arcabouço das expressões populares de língua inglesa, num estado de incorporação à língua que pouquíssimos poetas conseguem.

Frost foi um poeta de renome. Quatro prêmios Pulitzer para uma só pessoa é sinônimo de casca grossa. E realmente. Nascido nos Estados Unidos em 1874, Frost era filho de um beberrão colérico e de uma religiosa e culta. Uma bela duma disparidade, você pode pensar. Fique com isso da disparidade por mais um tempo. Explica praticamente tudo na poesia do autor. Muitas coisas em Frost advêm de um choque de extremos. Pois, logo após a morte do pai, a família se mudou, em 1885, à Nova Inglaterra, onde, anos depois, Frost lecionaria, publicaria poemas e faria pequenos serviços rurais. De certa maneira, a vida de Frost é isso: a vida de um poeta-fazendeiro, digamos assim. Claro que um poeta-fazendeiro num contexto tão urbano quanto o do Modernismo é algo muito complexo, e, no caso de um correlato nacional, basta nos lembrarmos de Drummond. Só que enquanto Drummond era um fazendeiro do ar, Frost era fazendeiro mesmo: em 1901 ele já tinha sua fazenda. Tudo bem que ele era um fazendeiro fracassado, colhendo frutos mais como conferencista. Mas isso não muda o fato de que a dualidade entre o campo e a cidade se tornaria muito forte em sua poesia, o que, conforme tem notado a crítica, é aspecto crucial.

Crucial pois Frost é um camarada meio esquisito dentro do contexto moderno, eu já disse. Às vezes ele pode lembrar um pouco o caso de Yeats: ambos são poetas que ocupam posições de alta patente no contexto poético de sua época, embora os instrumentos que se utilizem não sejam propriamente modernos. No caso de Yeats, todo um arcabouço simbolista que, embora abrandado após o encontro com Pound, ainda assim esteve presente. No caso de Frost, algo muito parecido ― e podemos exemplificar tanto uma quanto outra postura se observarmos o apreço de ambos por versos metrificados, bem como na ausência de versos livres em sua produção (para Frost, o verso livre era jogar tênis com a rede abaixada).

Sabemos que a ojeriza ao verso tradicional é um mito que cerca a produção moderna. Muitos poetas até que voltaram ao verso tradicional. Por exemplo, a produção de Wallace Stevens possui uma forte base iâmbica; o Eliot da década de 40, isto é, dos Four Quartets, possui momentos em que se avizinha da poesia formal-clássica, em especial na segunda parte de Little Gidding;  Marianne Moore, embora tenha se valido de um sistema de contagem de sílabas totalmente estranho à língua inglesa, isto é, o silábico e não o acentual-silábico, possui poucos poemas em versos livres; ou, pra terminarmos com três novatos, podemos citar a complexa estrutura rítmico-formal de Dylan Thomas e Hart Crane ou a poesia de Auden que, durante a Segunda Guerra, chegou a ápices bucólico-barrocos.

No caso de Frost, apesar de se valer de instrumentos clássicos, isso não quer dizer que sua poesia seja um amontoado de pó. São em grande medida versos de sabor clássico sim, em especial quando Frost se utiliza o blank verse; todavia, temos versos que são insuflados com toda uma modernidade graças ao ouvido indefectível do poeta, atentíssimo aos nuances da fala corriqueira e, portanto, pontuando de forma idiossincrática o verso.

Você poderá observar bem isso do tom conversacional em Mending Wall, embora existam poemas que sejam ainda mais explícitos (por exemplo, The death of the Hired Man, o preferido de Pound). É o que traduzo logo abaixo. Mending Wall abre a segunda coletânea de poemas de Frost, North of Boston (1914). A meu ver, a melhor. A imagem dos muros já é meio que um lugar comum hoje em dia, mas duvido que existam pelo menos meia dúzia de poetas que trabalham o tema tão bem quanto Frost ― o que é muito importante, visto que se uma imagem tão essencial em nossa sociedade de fato segregada se torna uma imagem destituída de sentido, a operação de lembrete que Frost nos dá, ou seja, de que estamos distantes uns dos outros e fazemos questão que assim seja, é uma operação cada vez mais essencial.

A famosa ironia que o autor incute em seus poemas, vistos em específico nesses poemas narrativos (no geral escritos em versos brancos), está com a carga toda. Que reconheçamos que existem muros que nos separam parece ser algo exclusivamente pós-moderno; mas, se observarmos bem, o que para alguns até derruba boa parte da argumentação de que algo como a pós-modernidade exista (pois isso implicaria que a modernidade chegou ao fim), vamos ver que não é algo tão recente ― e que, por conseguinte, o discurso entediante de que "no passado era melhor" parece ser só isso mesmo: entediante.

Muros nos separam e, embora exista algo que queira colocá-los abaixo, esse algo podendo ser simplesmente o passar dos anos e os laços de amizade natural que vamos criando, quem conserta os muros somos nós. Esquisito que seja assim. Não deveria ser o contrário?, ou seja, uma espécie de força sobrenatural, o tal "Duende" que o eu lírico se refere, erguendo muros e nós os destruindo? ― Pois é. Com Frost é o contrário, vejam só. Tudo o que nos une é sobrenatural, é indesejado. Daí, creio, a forte carga de ironia com que o poema se veste, pois nisso de cada um no seu quadrado vamos enraizando e passando a enxergar tudo o que sai de nosso cubículo como ameaçador.

Pra terminar a biografia meio que às pressas, em 1938 sua esposa Elinor White, com quem Frost era casado desde 1895, morre e, em 1940, sua filha Carol se suicida. O baque foi muito forte para o poeta. Continuou com sua vida de, digamos assim, personalidade literária, tanto que em 1954 veio ao Brasil. Morreu em 1963. Como o leitor pode ver, não foi uma "vida de poeta", como se pode presumir da expressão: agitada, boêmia. Um ser humano fendido e com seus traumas familiares, suas perdas, suas catástrofes.

Listo, abaixo, todas as traduções que encontrei para Mending Wall. Busquei manter o decassílabo para o verso de cinco acentos de Frost. Creio que fui formalmente mais rígido que o próprio poeta, que pontua seu verso de forma muito livre. É um caso, portanto, em que ser um carola da métrica é um defeito. Tentei também manter o tom coloquial do poema, mas sem exageros.


CONSERTANDO O MURO.
trad. eu.
Tem algo ali que não gosta de muros,
Que incha o chão gelado embaixo deles
E põe abaixo as pedras sob o sol;
E cria brechas onde passam dois.
O caçador possui outro trabalho:
Venho logo depois dele e conserto
Onde não ficou pedra sobre pedra ―
Mas ele quer que o coelhinho saia
Da toca e agrade os cães. Essas tais brechas
Ninguém sabe dizer quem fez nem como,
Mas, quando é primavera, tão aí.
Faço com que o vizinho lá do monte
Saiba; e um dia saímos para erguer,
De novo, o muro entre nós. Mantemos
O muro enquanto nós vamos embora.
A cada qual, as pedras que caíram
Do seu lado. As mais gordas nós usamos
Magia pra mantê-las no lugar:
"Fiquem aí até que eu dê as costas!"
A mão enche de calos só de erguê-las.
Oh, é só mais outro jogo ao ar livre,
Um aqui, outro ali. Só um pouco além:
Lá onde não são necessários muros:
Ele só tem pinheiros, e eu, maçãs.
Minhas maçãs jamais irão comer
As pinhas dos pinheiros dele, eu digo.
"Cerca boa faz bons vizinhos", diz.
A primavera então me atazana e
Me faz pensar se posso convencê-lo:
"Porquê faz bons vizinhos? Não é só
Onde tem vacas? Mas aqui não tem!
Antes de erguer um muro, só me diga
Contra quem, contra o quê eu ergo o muro,
E a quem eu possa vir a ofender com isso.
Tem algo ali que não gosta de muros.
Quer derrubá-los." "Duendes", eu diria,
Mas não é isso... Fosse ele que dissesse,
Seria melhor. Vi ele trazendo
Uma pedra bem firme em cada mão,
Como se fosse um primitivo armado.
Pra mim ele parece andar no escuro,
Não em bosques ou mesmo em sombra de árvores.
Ele não seguirá o que o pai disse.
Feliz por ter pensado nessa frase,
Rediz, "Cerca boa faz bons vizinhos."

§

MURO REMENDADO.
trad. João Luís Barreto Guimarães. inaqui.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que enfia bojos de terra gelada por baixo,
E derrama as pedras superiores ao sol,
E faz buracos onde até dois podem passar abraçados.
O trabalho dos caçadores é outra coisa:
Eu cheguei depois deles e fiz a reparação
Onde não deixaram pedra sobre pedra,
Mas conseguiram pôr a lebre fora do esconderijo,
Para deleitar cães latidores. As brechas, quero dizer,
Ninguém as viu fazer ou as ouviu fazer,
Mas na época primaveril dos arranjos encontramo-as lá,
faço o meu vizinho saber para lá da colina;
E um dia encontramo-nos para percorrer a linha
E assentarmos o muro outra vez entre nós.
Mantemos o muro entre nós enquanto avançamos.
A cada um as pedras que caíram para cada um.
E algumas são formas e outras são tão como bolas
Que temos de usar um feitiço para as equilibrar:
"Fica onde estás até voltarmos as costas!"
Ficamos com os dedos ásperos de as manipular.
Oh, somente outro género de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Mas vai mais longe:
Aí onde se encontra, nós não precisamos de muro:
Ele é todo pinheiros e eu sou um pomar de maçãs.
As minhas macieiras nunca atravessarão
Para comer os cones sob os seus pinheiros, digo-lhe eu.
Ele só me diz, "Boas cercas fazem bons vizinhos."
A primavera instiga-me e pergunto-me
Se lhe posso despertar a razão:
"Porque razão fazem bons vizinhos? Isso não é
Onde existem vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro eu inquiriria para saber
O que estaria a incluir ou a excluir,
E a quem era suposto ofender.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que o quer no chão”. Poderia dizer-lhe "duendes",
Mas não são duendes exactamente, e eu prefiro
Que ele o diga a si próprio. Vejo-o por ali,
A agarrar uma pedra com firmeza pelo topo
Em cada mão, como um antigo selvagem armado de pedras.
Move-se na escuridão e parece-me,
Não apenas a das florestas e a da sombra das árvores.
Ele não irá atrás do dito de seu pai,
Gosta de ter pensado naquilo tão bem
E diz novamente, "Boas cercas fazem bons vizinhos."

§

O CONSERTO DO MURO.
trad. Marisa Murray. inaqui.
Há alguma coisa que não gosta de muro,
Que incha o chão gelado por baixo dele,
E derruba ao sol as pedras lá do alto,
E faz brechas onde até dois podem passar juntos.
O que os caçadores fazem já é uma outra coisa:
Eu vim atrás deles e consertei
Onde não haviam deixado pedra sobre pedra.
Mas queiram forçar o coelho para fora da toca
Para agradar aos cães barulhentos. As brechas de que falo,
Ninguém viu, ninguém ouviu fazê-las,
Mas na primavera, nos consertos, nós a encontramos lá.
Aviso ao meu amigo lá atrás da colina.
E um dia nos encontramos para verificar
E reparar o muro entre nós mais uma vez.
Mantemos o muro entre nós enquanto vamos.
Cada um recoloca os blocos que caíram do seu lado.
Os pedaços são diversos, uns quase como bolas
Temos que usar de mágica para que fiquem certos:
“Fiquem onde estão até virarmos as costas!”
Nossos dedos ficam ásperos de trabalhar com elas.
Oh, apenas outra espécie de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Ou pouca coisa mais:
Lá onde está não precisamos do muro:
Do seu lado é tudo pinheiro. Do meu, pomar de maçã.
Minhas macieiras nunca passarão o muro
Para comer as pinhas dos pinheiros, digo-lhe eu.
Ele apenas responde, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
A primavera torna-me implicante, e lhe pergunto
Se poderia brincar com ele um pouco:
Porquê fazem bons vizinhos? Não é só
Onde há vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro queira saber
Contra quem ou contra o que eu construo,
E a quem com isso iria eu ofender.
Há alguma coisa que não gosta de muro,
Quer vê-lo por terra. Podia dizer-lhe “Duendes”,
Mas não são mesmo os duendes. Gostaria
Que ele mesmo o dissesse. Eu o vejo lá
Trazendo firmemente segura uma pedra
Em cada mão, armado como um selvagem das cavernas.
Ele vai, parece-me, andando nas trevas
Que não são todas de bosques, nem de sombras
E não seguirá o que seu pai dizia
E muito contente por ter pensado nisso
Repete “Boas cercas fazem bons vizinhos.”

§

REMENDANDO O MURO.
trad. Fabiana Adalgisa Mazola, Taline Maria Brolio, Cátia Cristina Sanzovo. inaqui.
Recomendo a leitura do artigo.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que enfia bojos de terra gelada por baixo,
E derrama as pedras superiores ao sol,
E faz buracos onde até dois podem passar abraçados.
O trabalho dos caçadores é outra coisa:
Eu cheguei depois deles e fiz a reparação
Onde não deixaram pedra sobre pedra,
Mas conseguiram pôr a lebre fora do esconderijo,
Para deleitar cães latidores. As brechas, quero dizer,
Ninguém as viu fazer ou as ouviu fazer,
Mas na época primaveril dos arranjos encontramo-las lá,
faço o meu vizinho conhecer para lá da colina;
E um dia encontramo-nos para percorrer a linha
E assentarmos o muro outra vez entre nós.
Mantemos o muro entre nós enquanto avançamos.
A cada um as pedras que caíram para cada um.
E algumas são formas e outras são tão como bolas
Que temos de usar um feitiço para as equilibrar:
"Fica onde estás até voltarmos as costas!"
Ficamos com os dedos ásperos de as manipular.
Oh, somente outro gênero de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Mas vai mais longe:
Aí onde se encontra, nós não precisamos de muro:
Ele é todo pinheiros e eu sou um pomar de maçãs.
As minhas macieiras nunca atravessarão
Para comer os cones sob os seus pinheiros, digo-lhe eu.
Ele só me diz, "Boas cercas fazem bons vizinhos."
A primavera instiga-me e pergunto-me
Se lhe posso despertar a razão:
"Porque razão fazem bons vizinhos? Isso não é
Onde existem vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro eu inquiriria para saber
O que estaria a incluir ou a excluir,
E a quem era suposto ofender.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que o quer no chão”. Poderia dizer-lhe "duendes",
Mas não são duendes exatamente, e eu prefiro
Que ele o diga a si próprio. Vejo-o por ali,
A agarrar uma pedra com firmeza pelo topo
Em cada mão, como um antigo selvagem armado de pedras.
Move-se na escuridão e parece-me,
Não apenas a das florestas e a da sombra das árvores.
Ele não irá atrás do dito de seu pai,
Gosta de ter pensado naquilo tão bem
E diz novamente, "Boas cercas fazem bons vizinhos."

§

MENDING WALL.

Something there is that doesn't love a wall,
That sends the frozen-ground-swell under it,
And spills the upper boulders in the sun,
And makes gaps even two can pass abreast.
The work of hunters is another thing:
I have come after them and made repair
Where they have left not one stone on a stone,
But they would have the rabbit out of hiding,
To please the yelping dogs. The gaps I mean,
No one has seen them made or heard them made,
But at spring mending-time we find them there.
I let my neighbor know beyond the hill;
And on a day we meet to walk the line
And set the wall between us once again.
We keep the wall between us as we go.
To each the boulders that have fallen to each.
And some are loaves and some so nearly balls
We have to use a spell to make them balance:
'Stay where you are until our backs are turned!'
We wear our fingers rough with handling them.
Oh, just another kind of out-door game,
One on a side. It comes to little more:
There where it is we do not need the wall:
He is all pine and I am apple orchard.
My apple trees will never get across
And eat the cones under his pines, I tell him.
He only says, 'Good fences make good neighbors'.
Spring is the mischief in me, and I wonder
If I could put a notion in his head:
'Why do they make good neighbors? Isn't it
Where there are cows? But here there are no cows.
Before I built a wall I'd ask to know
What I was walling in or walling out,
And to whom I was like to give offence.
Something there is that doesn't love a wall,
That wants it down.' I could say 'Elves' to him,
But it's not elves exactly, and I'd rather
He said it for himself. I see him there
Bringing a stone grasped firmly by the top
In each hand, like an old-stone savage armed.
He moves in darkness as it seems to me
Not of woods only and the shade of trees.
He will not go behind his father's saying,
And he likes having thought of it so well
He says again, "Good fences make good neighbors."

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