Amy Lowell (1872 - 1925).


(A pequena Amy Lowell, com um cão.)


POESIA.

Na venda com seda à venda,
Ainda as pipas, voando.

*

PADRÕES.

Desço o jardim
E a rosa
E a violeta florem em polvorosa.
Desço o jardim padronizado
Com meu vestido engomado, brocado.
Com meu leque cravejado,
Sou um
Padrão incomum.
Enquanto desço o jardim.

Meu vestido tem estampas,
E o trem
Rosa e prata vem
No cascalho e galha
Da estrada.
São só peças
Que viajam em engrenagens complexas.
Nenhuma sutileza a meu redor,
Só espartilho-de-barbatana e brocado.
Afundo no banco à sombra do
Limoeiro. Por amor
De mim, guerra ao brocado.
A rosa e a violeta
Fluem com encanto,
A contento.
Eu choro;
Pois flore o limoeiro
E uma flor caiu no meu peito.

E os respingos d'água
Da fonte marmórea
Descem o jardim.
As gotas não param.
Sob meu vestido engomado,
A sutileza de uma mulher banhando-se numa bacia marmórea,
Uma bacia cujas bordas
Afinam, e sem ela ver onde,
O amor se esconde.
Ela sabe que ele está perto, e as gotas
São o toque de uma mão
Sobre sua mão.
O que é o verão num fino vestido brocado!
Queria vê-lo pouco acima do chão.
Todo o rosa e o prata amarrotam o chão.

Eu seria o rosa e o prata ao caminhar,
E ele tropeçaria depois,
E riríamos os dois.
Eu veria o sol luzir em sua espada e seu coturno.
De meu turno,
Escolheria levá-lo em labirintos padronizados,
Claro e sorridente labirinto de meu amado acoturnado,
Até que ele me pegasse no escuro,
Os botões de seu colete me ferindo,
Doendo, fundindo, sem medo.
Com as sombras das folhas e os raios de sol,
E as gotas d'água,
Naquele amplo pôr-do-sol
Eu poderia desmaiar
Com o peso deste brocado,
O sol pela sombra peneirado.

Sob a flor caída
Em meu peito,
Uma carta escondida.
Um cavaleiro do Duke me trouxe mais cedo.
"Madame, sentimos informar que seu senhor
Lord Hartwell morreu em combate quinta à noite."
Enquanto a lia na branca luz da aurora,
A carta torce como cobra.
"Perguntas?", disse o cavaleiro.
"Não", eu disse.
"Veja se não quer descansar, o mensageiro.
Sem perguntas."
E pra cá e pra lá fui pelo jardim,
Em caminhos padronizados,
Em meu vestido engomado, correto.
Prudentes sob o sol, flores azuis e amarelas,
Cada uma delas.
Também fiquei ereta,
Rígida graças ao padrão engomado
De meu vestido engomado.
Fui pra cá e pra lá,
Pra cá e pra lá.

Num mês era meu marido.
Um mês, aqui, sob este limoeiro,
Teríamos quebrado o padrão;
Eu por ele, ele por mim,
Ele, Coronel, eu, Dama,
Neste banco sombreado.
Dizia
Que a luz do sol bendizia.
E eu que "Se você diz, será."
Agora, morto ele está.

No Verão e no Inverno terei andado
Pra cá e pra lá
Num jardim padronizado,
Em meu vestido engomado, brocado.
A rosa e a violeta
Pra erva, pra áster e pra neve cederão lugar.
Terei ido
Pra lá e pra cá,
Em meu vestido.
Bela, bela,
Magra e velha.
E a sutileza de meu corpo guardar-se-á do abraço
De cada botão, fita e laço.
Pois quem me perderia está morto,
Lutando em Duke, Flandres,
Num padrão chamado guerra.
Cristo! Os padrões servem pra quê?

§

POETRY.

Over the shop where silk is sold
Still the dragon kites are flying.



*

PATTERNS.

I walk down the garden paths,
And all the daffodils
Are blowing, and the bright blue squills.   
I walk down the patterned garden paths   
In my stiff, brocaded gown.
With my powdered hair and jewelled fan,   
I too am a rare
Pattern. As I wander down
The garden paths.

My dress is richly figured,   
And the train
Makes a pink and silver stain   
On the gravel, and the thrift   
Of the borders.
Just a plate of current fashion,
Tripping by in high-heeled, ribboned shoes.
Not a softness anywhere about me,   
Only whale-bone and brocade.   
And I sink on a seat in the shade   
Of a lime tree. For my passion   
Wars against the stiff brocade.   
The daffodils and squills
Flutter in the breeze
As they please.
And I weep;
For the lime tree is in blossom
And one small flower has dropped upon my bosom.

And the splashing of waterdrops   
In the marble fountain
Comes down the garden paths.   
The dripping never stops.   
Underneath my stiffened gown
Is the softness of a woman bathing in a marble basin,
A basin in the midst of hedges grown
So thick, she cannot see her lover hiding,
But she guesses he is near,
And the sliding of the water
Seems the stroking of a dear
Hand upon her.
What is Summer in a fine brocaded gown!
I should like to see it lying in a heap upon the ground.   
All the pink and silver crumpled up on the ground.

I would be the pink and silver as I ran along the paths,   
And he would stumble after,
Bewildered by my laughter.
I should see the sun flashing from his sword-hilt and the buckles on his shoes.
I would choose
To lead him in a maze along the patterned paths,
A bright and laughing maze for my heavy-booted lover,   
Till he caught me in the shade,
And the buttons of his waistcoat bruised my body as he clasped me,
Aching, melting, unafraid.
With the shadows of the leaves and the sundrops,   
And the plopping of the waterdrops,
All about us in the open afternoon
I am very like to swoon
With the weight of this brocade,
For the sun sifts through the shade.

Underneath the fallen blossom
In my bosom,
Is a letter I have hid.
It was brought to me this morning by a rider from the Duke.   
“Madam, we regret to inform you that Lord Hartwell   
Died in action Thursday sen’night.”
As I read it in the white, morning sunlight,
The letters squirmed like snakes.
“Any answer, Madam,” said my footman.
“No,” l told him.
“See that the messenger takes some refreshment.
No, no answer.”
And I walked into the garden,
Up and down the patterned paths,
In my stiff, correct brocade.
The blue and yellow flowers stood up proudly in the sun,   
Each one.
I stood upright too,
Held rigid to the pattern
By the stiffness of my gown.   
Up and down I walked,   
Up and down.

In a month he would have been my husband.   
In a month, here, underneath this lime,   
We would have broke the pattern;
He for me, and I for him,
He as Colonel, I as Lady,
On this shady seat.
He had a whim
That sunlight carried blessing.
And I answered, “It shall be as you have said.”   
Now he is dead.

In Summer and in Winter I shall walk
Up and down
The patterned garden paths   
In my stiff, brocaded gown.   
The squills and daffodils
Will give place to pillared roses, and to asters, and to snow.   
I shall go
Up and down,
In my gown.
Gorgeously arrayed,
Boned and stayed.
And the softness of my body will be guarded from embrace   
By each button, hook, and lace.
For the man who should loose me is dead,
Fighting with the Duke in Flanders,
In a pattern called a war.
Christ! What are patterns for?

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