"Invictus", de William Ernest Henley.





O poema favorito do Madiba é o caso clínico do poeta de um poema só. Mais ou menos como aquele Arvers, que escreveu o que ficou conhecido como o "rei dos sonetos". Se se pode à priori ridicularizar, vamos, pense melhor: quantos de nós sequer pisamos em falso tentando chegar lá?

Listo abaixo outras traduções do poema que encontrei. O leitor observará que muitos tradutores ocasionais e aprendizes de tradutor como eu se arriscaram. Isso basicamente comprova a gênese da tradução enquanto ato de amor, de afeto, de carinho para com um texto que nós gostamos. Afinal de contas, a única explicação para que Henley sobreviva apenas por um poema é esta: o encanto para-sempre. Conseguem entender como esse simples poema, sendo assim, tem tanto a nos dizer enquanto poema e enquanto texto traduzido?

Se o leitor conhecer outra versão, ou se quiser tentar ele mesmo uma, ficarei honrado em ampliar a lista!


INVICTUS.
trad. eu.
Dentro da noite que me veste,
Negra como o abismo infinito,
Agradeço ao deus que inda reste
Pelo meu espírito invicto.

Vítima da reviravolta
Eu não tremi nem gritei alto,
Mas, sob o cassetete à solta,
Eu sangro, mas também me exalto.

Além deste ódio e deste pranto
Somente emerge a escuridão.
Aos males que virão me adianto
Sem medo no meu coração.

Que importa se é árduo o caminho
Ou quanto a punição se espalma?
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Rodrigo Madeira. inaqui.
Do fundo desta noite que me veste,
Tal qual dum fosso o escuro indivisível,
Eu agradeço ao deus que ainda reste
Por este meu espírito invencível.

Da circunstância em garras afiadas,
Não me curvei nem foi lamúria ouvida.
Tomando dos acasos mil pancadas,
Minha cabeça sangra, mas erguida.

Além deste lugar de raiva e danos,
O Horror da sombra emerge desde cedo,
e ainda assim, feroz passar dos anos
me encontra e sempre encontrará sem medo.

Que seja a porta estreita quanto for,
Já não importa a dor do veredito;
Sou eu de meu destino meu senhor:
Eu sou o capitão de meu espírito.

§

INVICTUS.

trad. André C S Masini. inaqui.
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

§

INVICTVS.
trad. Wagner Schadeck. inaqui.
Cobre-me a noite de veludo,
negra como poço insondável.
A quaisquer deuses eu saúdo
pela minha alma inconquistável.

Que nas garras da circunstância
Não recuei nem deplorei.
E sob os jugos da inconstância
Sangrou-me a fronte, e não tombei.

Além do vale de ira e pranto,
surge o horror do ermo lugar;
a ameaça dos anos, no entanto,
sem temor deve me encontrar.

Como o punir está lavrado,
que importa se é estreito o portão:
sou mestre do meu próprio fado,
de minha alma sou capitão.

§

INVICTUS.

trad. Leonardo Dias. inaqui.
Do fundo da noite que me cobre,
Preta como o Breu de lado a lado
Agradeço a todos deuses pelo nobre
Inconquistável espírito a mim dado.

No acaso todo das circunstâncias
Não me deixei cair nem gritar
Apesar de um estouro de ânsias
Minha cabeça sangra sem curvar

Além desse lugar de tristezas e insanos
Nada se vê, só o Horror desde cedo
E ainda assim a ameaça dos anos
Encontra-me e encontrar-me-á sem medo

Não importa quantas vezes desatino
Nem quantas vezes a vida me espalma
Sou o mestre e senhor do meu destino:
Sou o capitão de minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Manuel Esteves. in: idem; nos comentários.
Na noite que me cobre,
Negra como o abismo de um extremo ao outro,
Agradeço a quaisquer que sejam os deuses
Pela minha alma inconquistável.

Nas garras da circunstância
Eu não recuei nem gritei.
Sob as concussões do acaso,
A minha cabeça está sangrenta, mas erguida.

Acima deste lugar de ira e lágrimas
Assoma mas o Horror da sombra,
E contudo a ameaça dos anos
Encontra-me, e deve encontrar, destemido.

Não importa quão estreito o portão,
Quão carregada de castigos a lista.
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o comandante da minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Renato Marques de Oliveira. inaqui.
Do breu da noite que não dissolve
A me envolver em nuvem negra,
A qualquer deus - se algum me ouve,
Agradeço por minha alma que não se verga.

Fustigado pelas garras do acaso,
Nunca lamentei, não esmoreceu minha fé.
Sob os golpes fortuitos do descaso,
Trago a cabeça em sangue, mas ainda de pé.

Além deste lugar de ira e ranger de dentes
Só se vê o Horror de sombras silentes,
Mas a ameaça do Tempo, que nunca recua,
Não me amendronta, nem me acua.

Embora estreito o portão, sigo adiante,
Mesmo tendo ao lado o castigo e o desatino,
Da minha alma eu sou comandante;
Eu sou o senhor do meu destino.

§

INVICTUS.

trad. Robson Duarte. inaqui.
Desta noite que me cobre
Negra como um poço de borda a borda
Eu Agradeço a quaisquer deuses que hajam
Por minha alma inconquistável

Na cruel garra da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob os golpes da sorte
Minha cabeça está ensanguentada mas não curvada

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Surge apenas o horror da sombra
E ainda com a ameaça dos anos
Encontra, e há de encontrar-me, sem temor

Não importa quão estreito o portão
Quão carregado de punições o pergaminho
Eu sou o mestre me meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Cesar Bargo Perez. inaqui.
Do fundo da noite que cai sobre mim,
Negra como o breu de pólo a pólo,
Agradeço a quaisquer deuses que possam existir
Por minha alma inconquistável.

Nas garras da circunstância
Não vacilei, nem mostrei meu choro.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas não se baixa.

Além deste lugar de ira e lágrimas
Se afigura o horror das sombras,
e ainda assim, a ameaça dos anos
Encontra-me, e há de sempre encontrar, destemido.

Não importa quão estreito seja o portal,
Quão carregado de punições o veredito.
Sou o mestre de meu destino:
Sou o comandante de minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Jo A-mi. inaqui.
Distante da noite que me abriga,
Escura como uma cova em toda a sua extensão,
Eu agradeço aos deuses, não me importa o que sejam,
Por minha alma indomável.

No mais terrível das circunstâncias
Eu não tive medo nem clamei em voz alta.
E mesmo diante dos duros golpes do acaso
E com minha cabeça ensaguentada, eu não me entreguei.

Para além deste lugar de castigo e lágrimas
elevados no horror da escuridão,
E ainda na ameaça dos anos
descobertos, encontrarão a mim sem medo.

Não importa quão estreita seja a passagem,
E quão carregada com penas a sentença,
Eu sou o senhor do meu destino;
Eu sou o capitão da minha alma.

§

INVICTUS.

trad. Luís Eusébiuo. adapt. Maria Machado. inaqui.
Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto a baixo,
Agradeço quaisquer deuses que existam
Pela minha alma inconquistável.
Na garra cruel da circunstância.
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta.
Além, deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E, contudo a ameaça dos anos me
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.
Não importa a estreiteza do portão,
Quão cheio de castigos o pergaminho (Caminho),
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma

§

INVENCÍVEL.

adapt. Humberto Ferro Neto. inaqui.
Dentro da noite que me invade
Negra, de polo a polo, como poço insondável
Agradeço à toda e qualquer divindade
Pela minha alma indomável.

Nas garras de fel da fortuna
Não alardeei meu pranto, tampouco me deixei acanhar,
Pelo acaso sendo surrado à borduna,
Minha cabeça sangra, mas não se deixa vergar,

Além deste lugar de ódio e sofrimentos
Só assoma das trevas o horror
E mesmo assim, a ameaça dos tempos
Me encontra e me encontrará sem temor

Quão estreito seja o portão, não me amofino
Nem quão repleta de martírios a palma,

Sou MESTRE do meu destino!!!
Sou CAPITÃO da minh'alma!!!

§

INVICTUS.

trad. ???? inaqui aqui.
Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida

Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

§

INVICTUS.

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

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