William Eric Berridge (1894 - 1916).



Nos 100 anos da Primeira Guerra, lembrando que não foram poucos os artistas e poetas vitimados no conflito, um soneto do Tenente William Eric Berridge, do 6º Batalhão de Infantaria Leve de Somerset, morto na Batalha de Somme, Delville Wood, em 20 de Agosto de 1916, aos 22 anos. Minha idade. Retrata os temíveis ratos, companhia frequente nas trincheiras. Leia mais sobre eles aqui, e na Veja da época (de quem é a tradução do poema do Rosemberg, hein?): aqui.


A UM RATO.
(Pego num pedaço de arame numa trincheira às 4:45 a.m. de Abril de 1916)
Você veio à luz só por causa disso?
Seu desígnio de vida: está completo?
Trabalho, dor... Você está liberto?
Estes que te capturam, com regojizo,
Esquecem que te fazem bem com isso,
Pensando em tua morte e por certo
Ignorando que assim você está perto
Da paz, da paz eterna, o paraíso.
Teu curso acaba aqui — não sei por quê
Você parece tão podre e nojento;
Você não nos escuta ou dá alento,
E por isso nós rimos de você —
Contudo, a vida é boa, não é, rato?
A alguém magro e macio, foi, de fato.


TO A RAT
Caught on a piece of wire in a communications trench 4.45 a.m. April 1916

Was it for this you came into the light?
Have you fulfilled Life’s mission? You are free
For evermore from toil and misery,
Yet those who snared you, to their great delight,
Thought doubtless they were doing right
In scheming to encompass your decease,
Forgetting they were bringing you to peace
And perfect joy and everlasting night.
Your course is ended here — I know not why
You seemed a loathsome, a pernicious creature;
You couldn’t clothe us and we couldn’t eat yer,
And so we mocked your humble destiny —
Yet life was merry, was it not, oh rat?
It must have been to one so sleek and fat.

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