Poemas anônimos da 1ª GM.



A música citada pelo primeiro poema pode ser encontrada aqui, ao lado de outras. Na foto, soldados voluntários. Retirado do The Guardian. Convido o leitor a ler o ensaio.



NÃO QUERO SER MILITAR.
(para a melodia No Sábado saí com um soldado)
Não quero ser militar,
Não quero ir lá guerrear.
Quero ficar em casa,
Andar sem fazer nada,
Viver dos caprichos de putas bem-pagas.
Não quero baionetas na cara,
Não quero minhas bolas fuziladas.
Quero ficar na Inglaterra,
Na minha terra, a Inglaterra,
Levar a vida, sem querer nada com nada.

§

Ei, sentinela! A quantas anda a noite?
Sua resposta não vou repetir.
Era algo curto e grosso, dava pra sentir.
Cobria o que ele sentia,
Cobria o que ele sentira,
Cobria o que ele sentiria,
Nos anos que virão,
Sem beber como estava e sem consolação.

§

Quando acabar esta chacina,
Vou ficar feliz demais!
Quand'eu vestir minhas roupinhas,
Ser soldado nunca mais!
Chega de paradas na igreja,
Chega de pedir passagem.
Mandarei o Sargento-Major
Socar o fuzil no cu.

Quando acabar esta chacina,
Vou ficar feliz demais!
Quand'eu vestir minhas roupinhas,
Ser soldado nunca mais!
Terei meu toque de alvorada,
Terei minha tatuagem.
Chega de suboficiais chatos.
Exército é só sacanagem.

Suboficiais vão tá bem,
Vão tá batendo de carro.
Vão ter alguém só pra catar
O toco do seu cigarro.
Chega de ficar nas trincheiras,
Só mais uma parada na igreja.
Chega de andar no fogo-cruzado,
Chega de comer enlatados.

§

Se quer achar o Sargento,
Sei sim, sei onde ele está,
SEI onde ELE está.
Se quer achar o Sargento,
Sei onde ele está —
Jaz lá no chão da Cantina.
Sim, eu o vi, sim, eu VI,
Jazendo no chão da Cantina.

             ....

Se quer achar o velho batalhão,
Sei onde estão, sei onde estão,
SEI onde ESTÃO.
Se quer achar o velho batalhão,
Sei onde estão —
Enforcados no arame farpado.
Sim, eu os vi, sim, eu VI,
Enforcados no arame farpado.

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