Edward Thomas (1878 - 1917).


(Edward Thomas. Inglaterra. Créditos.)


A CORUJA.

Vinha com fome e não esfomeado;
Com frio, tinha forças contra o vento;
Exausto, tinha que o descanso era o
Que de melhor havia pro momento.

Lá no hotel, me aqueci, comi, dormi
Sabendo-me com frio, fome e exausto.
A noite era estéril se não fosse
O pio da coruja — pio infausto

Que ecoou longe, sem trazer contudo
Nem alegria ou causa de alegria,
Mas, antes, me dizendo que escapei
Do que só um ou outro escaparia.

Salgado o meu descanso e alimento,
Salgado e pouco ao som daquela coruja
Contendo a voz de todos pelo mundo
Que a morte com frequência sobrepuja.

**

Há olhares que condenam só de olhar:
Alguns esperam pacientemente
Que a terra conte: alguns, a gargalhar,
Riem do outro: mas um eu sei que, em rir
Do que vira, do cerne à crosta, sente
Que nada lhe bastara aquele rir
Do que rira: há olhares que gargalham
E há os que frente à porta se esbugalham.

Outros eu vi que dormem, rolam, dançam,
Atiram. Muitos eu gostei de ver.
Há olhares que de pronto nos encantam,
Até morrer. Eu não achei meu rumo.
Pensar em teu olhar — ensurdecer —
Que assoma em tudo aquilo que eu assumo.

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