Siegfried Sassoon (1886 - 1967).


(Siegfried Sassoon. Inglaterra. Créditos.)




Um soldado em estado de choque, durante a Guerra da Bósnia. História aqui.


REPRESSÃO DA EXPERIÊNCIA DE GUERRA.

Queimam velas; aqui; ali; ali, o bicho;
Uns miseráveis de voarem desse jeito,
Queimarem suas asas com fama, flama líquida —
Não, não assim — mas que droga é pensar na guerra,
O que nego amordaça volta e te amedronta;
Já provaram que soldados não ficam doidos;
Só se já não controlam a merda que pensam
E que os faz conversar até com árvore.

Acende o seu cigarro; olha que mão mais firme,
Respire; pare de pensar, conte até cem,
Seja assim como a chuva . . . . .
                                             Por que não chove?
Queria que relampeasse ontem à noite,
Caísse um aguaceiro pra calar a treva,
Fazer que a rosa erga seus lábios gotejantes.
Livros; que companhia boa eles são,
Assim quietinhos, pacientes lá na estante,
Vestidos de marrom, preto, branco e de verde,
Toda sorte de cor. Quais você lê?
Ah, vamos lá; você lê SIM; são tão sabidos.
Digo pra você: toda sabedoria humana
Tá aí, nessas prateleiras, e você
Ainda senta e rói as unhas, você fuma,
E ouve em silêncio: no teto tem um
Bicho tão grande e tonto, que voa e esbarra;
E no ar sem ar lá fora da casa
O jardim que aguarda alguém que não vem.
Deve haver bandos de fantasmas lá nas árvores, —
Não os mortos de guerra, — estão na França, —
Mas mortalhas nefastas, — velhos que morreram
De morte morrida, — velhos de alma feia,
Que gastaram seus corpos com pecados sujos.
. . . . . . . . . . . . . . . .
Você tá quieto, bronzeando a salvo em casa;
Nunca pensou que tem nego sendo fuzilado! . . .
Mas você... É, você escuta os tiros.
Ouça! Bang, bang, bang — doces, doces . . . nunca acabam —
Uns fuzis que sussurram — Deus, quero ir embora,
Mandar que parem — estou ficando maluco;
Esses fuzis vão me deixar doido de pedra.

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