Frank O'Hara (1926 - 1966).






HOMOSSEXUALIDADE.

Tiramos nossas máscaras, fazemos boca
fechada?, como perfurada pelo olhar!

O som das vacas não tem mais jurisdição
que o vapor que sai de alguém quando está doente;

Por isso a sombra fica a meu lado, como pufe,
e enrugo meus olhos como se no estranho instante

de uma ópera longa nós saíssemos!
sem vergonha ou esperando que nossos pézinhos

tocassem novamente a terra, “tão cedo”.
É a lei de minha própria voz que investigo.

Primeiro sou como gelo, dedo no ouvido,
ouvido no peito, vira-lata na lata

de lixo. É tão fantástico admitir a si mesmo
com completo candor, apontando os méritos

das latrinas. A 14th Street, ébria e crédula.
A 53rd tenta estremecer; também descansa.

O bom ama um parque e o inepto, a estação
de metrô, onde existem santos que arrastam-se

pra lá e pra cá, sombra de cabeça abissínia
no pó, puxando suas rodas de ar quente

e confundindo o corajoso, “Já é verão
e eu desejo ser desejado mais que tudo.”

§

HOMOSSEXUALITY.

So we are taking off our masks, are we, and keeping
our mouths shut? as if we'd been pierced by a glance!

The song of an old cow is not more full of judgment
than the vapors which escape one's soul when one is sick;

so I pull the shadows around me like a puff
and crinkle my eyes as if at the most exquisite moment

of a very long opera, and then we are off!
without reproach and without hope that our delicate feet

will touch the earth again, let alone "very soon."
It is the law of my own voice I shall investigate.

I start like ice, my finger to my ear, my ear
to my heart, that proud cur at the garbage can

in the rain. It's wonderful to admire oneself
with complete candor, tallying up the merits of each

of the latrines. 14th Street is drunken and credulous,
53 rd tries to tremble but is too at rest. The good

love a park and the inept a railway station,
and there are the divine ones who drag themselves up

and down the lengthening shadow of an Abyssinian head
in the dust, trailing their long elegant heels of hot air

crying to confuse the brave "It's a summer day,
and I want to be wanted more than anything else in the world."









MAIAKÓVSKI.

1.
Meu coração tremeluz!
Estou chorando
na banheira. Mãe, mãe,
quem sou? Se ele
retornará um dia
e me beijará no rosto
seu penteado rude
meu templo, seu pulsar!

então posso me vestir
eu acho, e andar por aí.

2.
Eu te amo. Eu te amo,
mas me volto a meus versos
e meu coração se fecha,
um punho.

Palavras! sejam doentes
como eu sou doente, desmaiem,
rolem os olhos, uma poça,

e eu olharei
minha beleza ferida
que quando muito é talento
pra poesia.

Por favor nunca, nunca encantem ou vençam
um poeta assim!
e a água clara é espessa

com hematomas na cabeça.
Abraço uma nuvem,
mas quando voei
ela choveu.

3.
Engraçado! há sangue no meu peito
ah sim, estive carregando tijolos
lugar mais engraçado pra se romper!
e agora chove no ailanthus
enquanto subo o parapeito
as faixas lá embaixo esfumaçadas e
reluzindo uma paixão pela corrida
subo até as folhas, verdes como o mar

4.
Agora espero calmamente a
catástrofe de minha personalidade
ser bonito novamente,
e interessante, e moderno.

O país é cinza e
marrom e branco nas árvores,
neves e céus de risos sempre
diminuindo, menos engraçados
não só escuros, não só cinzas.

Deve ser o dia mais frio do
ano, o que será que ele pensa
disso? Digo, o que eu penso? E
se penso, talvez eu sou eu de novo.

§

MAYAKOVSKY.

1
My heart’s aflutter!
I am standing in the bath tub
crying. Mother, mother
who am I? If he
will just come back once
and kiss me on the face
his coarse hair brush
my temple, it’s throbbing!

then I can put on my clothes
I guess, and walk the streets.

2
I love you. I love you,
but I’m turning to my verses
and my heart is closing
like a fist.

Words! be
sick as I am sick, swoon,
roll back your eyes, a pool,

and I’ll stare down
at my wounded beauty
which at best is only a talent
for poetry.

Cannot please, cannot charm or win
what a poet!
and the clear water is thick

with bloody blows on its head.
I embrace a cloud,
but when I soared
it rained.

3
That’s funny! there’s blood on my chest
oh yes, I’ve been carrying bricks
what a funny place to rupture!
and now it is raining on the ailanthus
as I step out onto the window ledge
the tracks below me are smoky and
glistening with a passion for running
I leap into the leaves, green like the sea

4
Now I am quietly waiting for
the catastrophe of my personality
to seem beautiful again,
and interesting, and modern.

The country is grey and
brown and white in trees,
snows and skies of laughter
always diminishing, less funny
not just darker, not just grey.

It may be the coldest day of
the year, what does he think of
that? I mean, what do I? And if I do,
perhaps I am myself again.

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