Brenda Shaughnessy (1970 - ).


(Foto retirada do Poetry Foundation)


NÃO-POÉTICO,

meu coração. Fruto
estranho que não foi,
não-acético.

Azedado no sol
e no teto solar,
sem teto.

Sem arte. Não-complexo.
Sem bênção para o vaso
seleto.

Tudo que fiz
com estas mãos,
objeto

sem-cerne, só crosta.
Só borda e adorno,
famélico

de só fazer fumaça
na boca de fumo,
decrépita.

Não-contente da rotina,
fora de hora, intoxicado
na véspera.

Exceto se você
souber ou se me curvo,
abjeta,

a tal excruciação.
Sem graça, sem safra,
me deixou quieta,

e porém eu me encontro
no meu coração,
deserto.

Cubo nosso, resto
e repasto que nos abate,
não-benévolo.

Por si só espetacular,
não visível por si só,
anoitecido e gélido

noite-após-noite.
Num próspero terror
(exceto

forma de dizer
nas trevas) há uma
não-trégua

pras questões não-frívolas.
Coração, tudo bem, não?
Parte, combate, Marte. Exceto:

fazer parte, estar à parte
do afeto que lhe afeta,
sem afeto.


ARTLESS

is my heart. A stranger
berry there never was,
tartless.

Gone sour in the sun,
in the sunroom or moonroof,
roofless.

No poetry. Plain. No
fresh, special recipe
to bless.

All I’ve ever made
with these hands
and life, less

substance, more rind.
Mostly rim and trim,
meatless

but making much smoke
in the old smokehouse,
no less.

Fatted from the day,
overripe and even
toxic at eve. Nonetheless,

in the end, if you must
know, if I must bend,
waistless,

to that excruciation.
No marvel, no harvest
left me speechless,

yet I find myself
somehow with heart,
aloneless.

With heart,
fighting fire with fire,
fightless.

That loud hub of us,
meat stub of us, beating us
senseless.

Spectacular in its way,
its way of not seeing,
congealing dayless

but in everydayness.
In that hopeful haunting
(a lesser

way of saying
in darkness) there is
silencelessness

for the pressing question.
Heart, what art you?
War, star, part? Or less:

playing a part, staying apart
from the one who loves,
loveless.

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