EJ Koh.




Dez mil visitas no bloguinho. Comemoremos. Vocês conhecem o site oficial da autora (aqui)? Você pode ler uma entrevista com a autora no Gumship (aqui) e na Tofu Magazine (aqui). Na surdina, apreciando o fato de ser anônima, e ainda assim cutucando feridas de maneira tão sutil que dá até a entender que tá tudo certo, a poesia de Koh nos convida a olhar para o lado. Estamos olhando para o lado, certo?


PARA MINHA MÃE SE AJOELHANDO NO JARDIM DE CACTOS.

Pensei no que dizer por um mês,
quantas vezes você pegou a faca
e apontando ao pescoço disse, Vamos
pôr fim ao casamento, quantas velas
acendeu pra Deus. Mas eu garanto:

você nunca o viu. Como você chama mesmo
o abandono e a precaução e o consolo
que me amarram a você? Deixe que eu seja
o marido dos sonhos, filho querido ou
mãe cuidadosa. Construo um novo pátio

e faço seu café, lavo seu pé
em água quente. Pra mim você virou
prisioneira da própria luz. Faço um
canteiro e faço depois sanduíche.
Coloco num lugar bem confortável.


TO MY MOTHER KNEELING IN THE CACTUS GARDEN.

For a month I tried to think of what to say,
how many times you’ve swept a kitchen knife
across your neckline and said, This is how
you end a marriage, how many more wicks you light
for god. I could tell by your eyes you’ve never

seen him. What would you call the feeling
of abandon and caution and relief that keeps me
tethered to you?  Let me be the husband
you prayed for, the son you wanted or mother
who held you. I’ll build your new patio swing

and fold your coffee linens, wash your hardened
feet in warm water. To me you have become a prison
of its own light. I’ll grow greens and the parsley
you love and wrap them into cold sandwiches.
I will place them where you can reach with ease.

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