Brian Spears.


(Foto retirada do blog do autor)


Brian Spears é mais conhecido como editor do The Rumpus, um dos sites mais sólidos sobre poesia contemporânea. Possui também um blog no wordpress: aqui. Recomendo também uma entrevista com o autor no Cobalt e uma resenha de seu livro mais recente, A witness in exile.

É também poeta, mas conheço pouco de sua produção. O poema que ora traduzo me emocionou profundamente... Todos nós sempre costumamos rir de pessoas com nomes feios, mas, depois de ler esse poema de Brian, você fica com um nó na garganta. Como se, na cabeça desses pais, um nome assim, patético, como Brittany Spears, fosse a única riqueza possível a ser dada a seus filhos: riqueza assim mesmo, emprestada. Falsificada. Verdadeira.

O texto utilizado foi o disponível no Redhead Stepchild. Dei uma sessãodatardenizada no título do poema. Não reparem. Ou melhor: reparem sim.



ATRAPALHADAS NA HORA DE ESCOLHER O NOME DE SEU FILHO.

Minha filha se chama Brittany Spears,
e espero — espero mesmo — que um dia
ela me perdoe. Como alguém pode saber
qual nome ecoará no ouvido dos outros
no futuro? Profeta, eu não sou.
Pedi por isso, acho — James Bond
em minha cidade-natal, rabugento
que só, ainda mais em questões
de martínis e carros britânicos.
Foi o que fez Fred Sanford, que
lhe vendeu latas-velhas. Se estivesse
tudo pronto — "Sem entulho aqui!"
Barbara Eden seria divorciada,
trabalharia na mercearia Delchamp,
teria a idade de minha menina,
que odeia piadas de gênio-da-lâmpada.
Brittany logo irá pro colégio.
Penso se ela vai reivindicar seu
nome como seu, se dará uma
chance ao estrelato, não o dela,
reivindicar a vida, incerta pela
curiosidade dos tabloides.
Ou talvez só esperará que a estrela
caia, deixando seu nome, envelhecido
e gasto, pronto pra outra.

§

THE HAZARDS IN CHILD-NAMING.

My daughter’s name is Brittany Spears,
a choice for which—one day I hope—
she will forgive me. How’s one to know
what names will ring in peoples’ ears
in future years? No prophet, I.
I asked for it, I guess—James Bond
lived in my hometown, grumpy as 
you might expect, from questions on
martini choice and British cars. 
So did Fred Sanford, who sold Olds-
mobiles and Chevrolets. Had cards
made up—"No junk on this lot!"
Barbara Eden was divorced,
worked at Delchamps grocery,
had a son my sister’s age
who hated all the genie jokes.
Brittany goes to college soon.
I wonder if she’ll claim her name
her own, or if she’ll take the chance
to make a break from stardom not
her own, claim life undefined by 
the tabloids’ curiosity.
Or maybe she’ll just hope the star
will fade, and leave her name, weathered
and worn, ready for another.

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