Yone Noguchi (1875 - 1947).


(Foto retirada do Fine Art America)


Primeiro poeta nipônico a publicar em inglês. Os textos das traduções vieram desse pacotão aqui:

http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/23806  
http://www.poetryfoundation.org/bio/yone-noguchi 
https://archive.org/details/selectedpoemsofy00nogurich

Venho por meio desta destacar também a tradução de Rubens Akira para o poema O Milagreaqui.


A UM POETA DESCONHECIDO.

Se me perco no ermo corpo da
névoa na colina,
Tudo parece construído como se eu fosse o
pilar!
Sou eu o Deus que vê o abismo, abismo sem fim,
este o fim do abismo, nos Primórdios?

§

O POETA.

Fora do abismo e do escuro,
Forma, cintilante mistério;
Algo perfeito
Vem como o agito do dia:
Um cujo sopro é odor,
Os olhos, estrada às estrelas,
A brisa na face,
A glória celeste nas costas.
Seu passo é visão suspensa;
Difusa a paixão do eterno;
Seu lar é o sol da manhã,
A música da véspera, sua voz:
Ao redor,
Um sairá do pó das tumbas
E rumará ao bosque.

§

A LEMBRANÇA.

Amor se foi, a lembrança que ela me deixa são essas crianças, três ou quatro.
Como, durmo . . . o mesmo, o mesmo de ontem.
O relógio bate à meia-noite,
Acordo, arrumo o cobertor das crianças a meu lado.

Amor se foi, o verdadeiro amor nunca vai voltar pra mim . . .
Amor se foi antes que eu agarrasse as coxas dela.
Mas o que é isso? — o relógio vai batendo.

Amor se foi, os ratos no forro roem as pilastras.
Minha vida também é mordida por um tal de Tempo . . .
Eis o amanhã, eis o amanhã, coisas serão feitas amanhã . . .
Eu me pergunto, o que é esse amanhã que você tanto fala?

As casas são como os dentes do pente,
Construo numa delas meu ninho,
Encaro a lembrança que Amor deixou em mim.

§

DIREITA E ESQUERDA.

A montanha verde à direita:
O sol amarelo à esquerda:
O vento ri, passa entre eles.

O riacho branco à esquerda:
As flores rubras à direita:
A garota ri, vai entre eles.

A nuvem veleja à direita:
O pássaro imerge à esquerda:
A lua ri, surge entre eles.

À esquerda, o vale do poema:
À direita, a floresta do amor:
Corro pra Casa, entre eles.

§

HAIKAI.

I.
Um som  o que mais?
Eu, que cavalgo a corrente,
Sozinho nas nuvens.

II.
Erros, você diz.
Arrepender-se: quão belo!
É assim mesmo a vida.

III.
Marchar rumo à vida 
Cantar e cantar o canto!
Nuvens, flores novas.

IV.
Som do mar na chuva,
Voz do céu, do chão, do homem!
Ouve, coração.

Comentários

  1. oi Matheus , poxa, fazia tempo que queria passar aqui e agradecer pela menção. Aliás, suas traduções também são muito belas. Vi mais do seu trabalho no escamandro! Parabéns. Grande abraço, Rubens.

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