Emily Brontë (1818 - 1848).


(Imagem retirada do Kate Mosse)


Dormir não traz alegria
E o recordar não termina;
Minh'alma é dada à ruína,
E suspira.

Dormir não traz, não traz calma;
As sombras dos que morreram
Meus olhos não perceberam
Na almofada.

Dormir não traz esperança;
Chegam no sono profundo
E, em devaneio iracundo,
Cravam a minha desgraça.

Dormir não traz robustez
Ou poder para a bravura:
Vago no mar, onda escura
E escassez.

Dormir não traz um amigo
Que me acalme ou que me ajude:
Zombar é sua atitude.
Eu me aflijo.

§

Sleep brings no joy to me,
Remembrance never dies;
My soul is given to misery
And lives in sighs.

Sleep brings no rest to me;
The shadows of the dead
My waking eyes may never see
Surround my bed.

Sleep brings no hope to me;
In sounder sleep they come.
And with their doleful imagery
Deepen the gloom

Sleep brings no strength to me,
No power renewed to brave:
I only sail a wilder sea,
A darker wave.

Sleep brings no friend to me
To soothe and aid to bear;
They all gaze, oh, how scornfully,
And I despair.

Comentários

  1. Olá!
    Qual o nome do segundo poema? E obrigada por compartilhar suas traduções! Esse é meu cantinho de leitura.
    Já postei Cristina Rossetti e EBB no meu blog, com os devidos créditos. Gostaria de publicar esses dois da EBrontë.
    O blog é sobre as escritoras inglesas, biografia, poemas, contos, quootes etc.
    umtetotodoseu.com

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    1. Seja bem-vinda, Maria!

      Fique à vontade para compartilhar as traduções no seu blog. Como você está dando os créditos, então está tudo ok!

      O segundo poema não tem título. Ele é o de número XIV da coletânea "Privately Printed Poems", inclusa no link que passei do archive.org.

      Há outra tradução para ele, feita pelo Lúcio Cardoso:

      Nunca encontrei a felicidade dormindo;
      A memória se recusa sempre a morrer,
      E votei minha alma ao secreto mistério,
      Para viver e suspirar de esperança e nostalgia.

      Nunca encontrei o repouso dormindo;
      Pois as sombras dos mortos,
      Que meus olhos acordados nunca saberia distinguir,
      Assaltam minha cabeceira.

      Nunca encontrei a esperança dormindo:
      No mais intenso da minha noite, eu os vejo chegar,
      E estender sobre as paredes de profundas trevas
      O mais epesso véu do seu triste cortejo.

      Nunca encontrei a coragem dormindo.
      Onde eu teria podido arrancar um força nova;
      Mas o mar em que vago é batido pelas tempestades,
      E a onda é mais negra.

      Nunca encontrei a amizade dormindo,
      Para acalmar a dor e me ajudar a sofrer;
      Os olhares da noite são pejados de desprezo
      E me deixam abandonada ao meu desespero.

      Nunca encontrei o desejo dormindo
      Para atiçar o fogo morto do meu coração.
      Meu único desejo é atingir o esquecimento
      E o sono eterno em que mergulha a morte.

      http://www.carcasse.com/letras/obra.php?obra=173

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