Sara Teasdale (1884 - 1933).



VOCÊ ALGUMA VEZ SOUBE?

Você alguma vez soube o quanto me amou —
Que seu amor seria eterno e incessante?
Jovem, tão orgulhoso e bom de coração,
Você não soube nem por um instante.

O destino é um vento em que pétalas voam
Longe, tão longe, em época de tempestade —
Raro é que nos vejamos, mas logo eu te escuto,
Meu bem, eu sei, eu sei tua verdade.

§

Não me perdi em você,
Não me perdi: quis pedir
Me perder como uma tocha,
Como um floco a ir e vir.

Você me ama, e em ti encontro
Um belo ser que reluz.
Já eu sou eu: quis pedir
Me perder como a luz na luz.

Toda me afogue no amor! —
Me mata, cega e ensurdeça
Na procela de teus beijos,
Candeia ao vento com pressa.

§

Não a frase falada,
Pois que pouco é falado,
Nem um olhar trocado
Ou a face admirada:

É a paz em nossa alma
Que guarda tanta cousa!
É a memória que repousa
Em calmaria e calma...
*

Este poema também recebeu uma tradução de Adriano Nunes aqui.

§

APÓS O AMOR

Já não há mágica nenhuma,
      Nos vemos como dois normais,
Você não faz milagre em mim
      E eu não faço mais.

Você foi o vento e eu, o mar.
      Não há mais esplendor; alheia,
Eu cresci assim como a poça
      Na areia:

Por mais que se salve das ondas
      E da procela, ela se faz
Muito mais amarga que o mar,
      Porque está em paz.

DID YOU EVER KNOW?

Did you never know, long ago, how much you loved me—
That your love would never lessen and never go?
You were young then, proud and fresh-hearted,
You were too young to know.

Fate is a wind, and red leaves fly before it
Far apart, far away in the gusty time of year—
Seldom we meet now, but when I hear you speaking,
I know your secret, my dear, my dear.

§

I am not yours, not lost in you,
Not lost, although I long to be
Lost as a candle lit at noon,
Lost as a snowflake in the sea.

You love me, and I find you still
A spirit beautiful and bright,
Yet I am I, who long to be
Lost as a light is lost in light.

Oh plunge me deep in love—put out
My senses, leave me deaf and blind,
Swept by the tempest of your love,
A taper in a rushing wind.

§

It is not a word spoken,
Few words are said;
Nor even a look of the eyes
Nor a bend of the head,

But only a hush of the heart
That has too much to keep,
Only memories waking
That sleep so light a sleep.


§
AFTER LOVE

There is no magic any more,
      We meet as other people do,
You work no miracle for me
      Nor I for you.

You were the wind and I the sea—
      There is no splendor any more,
I have grown listless as the pool
      Beside the shore.

But though the pool is safe from storm
      And from the tide has found surcease,
It grows more bitter than the sea,
      For all its peace.

Comentários