"Epitáfios Pacíficos", de Dudley Randall.


(Foto retirada de Springfield Arts)


...ficar atento à linguagem afiada, afiadíssima do original. De pacíficos eles tem só o nome. Desvelar na paz a imposição da paz só mesmo um poeta como Dudley Randall soube fazer. Caso o queira ler um pouco mais sobre os poemas, recomendo as páginas 63 a 66 de Wrestling with the Muse: Dudley Randall and the Broadside Press, de Melba Joyce Boyd, com preview pelo Google Books aqui.

O texto utilizado foi o da Norton Anthology of Modern Poetry, com edição de Richard Ellmann e Robert O'Clair. O leitor pode lê-los aqui.


RABAUL.

Em Rabaul morri
Pela democracia.
Melhor era cair
No Mississipi.

§

PALAWAN.

Sempre pacífico,
Me enfiei entre
O amiguinho de revólver
E o de metralhadora.

§

NEW GEORGIA.

Eu amo meu lar.
O jeito é me calar.

§

NEW GUINEA.

A linguinha do mosquito
Leu uma historinha pra mim.

§

TARAWA.

Diga a eles que esta praia
Guarda parte do Brooklyn.

§

IWO JIMA.

Como óleo texano,
Ó meu sangue jorrando.

§

ESPIRITU SANTU.

Odiei armas,
Vendedor de armas
Que não se armava.

§

LUZON.

Esplêndidos contra a noite
Os holofotes, pegadas,
O fogo rubro das bombas
Enchendo o olhar
E os miolos.

§

BOUGAINVILLE.

Projétil
Na cavidade abdominal.
Ângulo: trinta e cinco graus.
Penetrou a pars pyrolica.
Desviada, pelo sternum.
Perfurou a auricula dextra.
Ferrou minha carreira médica.


§

VELLA VELLA.

Esta corda estrupiada
E essa daí, estuprada.

§

BORNEO.

Kil-
Roy
Tá-
Qui.

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