Robert Browning (1812 - 1889).


(Fotogravura do autor aos 68 anos, por Julia Margaret Cameron. Créditos. Logo abaixo, foto do poeta e tradutor Décio Pignatari. Créditos. E, por fim, quadro de Sir Edward Coley Burne-Jones. Créditos.)


R
obert Browning (Inglaterra, 1812 - 1889) é reconhecidamente um dos grandes poetas ingleses, um dos pais da modernidade. Em 1845 se encontrou com a poeta Elizabeth Barrett Browning (aqui) e desde então mantiveram uma linda história de amor. Elizabeth era mantida como inválida, e conhecer Robert mudou sua vida: tanto que seus belos sonetos foram dedicados a ele (um dos melhores livros de Robert, Men and Women, também foi dedicado a Elizabeth). Casaram-se em 1846 e viveram dez anos na Itália, até a morte de Elizabeth, em 1861. Teve opiniões reacionárias para a época, como ao se opôr à teoria de Darwin. Sua obra encantaria nomes como Ezra Pound ou T. S. Eliot, para além da fama que teve em vida (a Browning Society, por exemplo, foi fundada em 1881, 8 anos antes de sua morte), mesmo com uma poesia tida como hermética.

Talvez nem tanto. O campo em que Robert se desenvolveu com maior força foi o campo do monólogo dramático, onde certamente foi e ainda é o maior nome do gênero. Basta que se cite poemas como Porphyria's Lover, My Last Duchess, Fra Lippo Lippi ou Mr. Sludge. Pretendo, aqui no bloguinho, fazer com que pinte mais pra frente minhas reflexões sobre o gênero, infelizmente tão pouco explorado em nossa língua; por hora, contudo, gostaria que se dissesse que não vejo muitas razões para que um poeta com uma comunicação tão clara, com um dom tão poderoso para a ficcionalização da voz poética, seja tido como hermético.

Hermético para quem se propôr a esmiuçar os mínimos aspectos, referências que Robert usou para emplastrar cada monólogo. E, de fato, quando começamos a entender a pré-história do poema, vamos observando quão geniais eles são, vamos observando quão preciso foi Robert. Mas tenho a convicção de que esta não é só a única forma de se aproximar de sua obra, como não é a mais recomendada. Os monólogos de Robert falam por si mesmos. São retratos humanos completos, repletos de, pode parecer ser óbvio mas não é, humanidade, de sentimento de mundo ou de outridade, se se quiser usar o termo de Octavio Paz: isto é, de podermos entender o Outro em tudo o que ele tem de nós mesmos.

O monólogo que o leitor tem em mãos foi publicado em 1855 como abertura ao livro Men and Women, um dos ápices da carreira de Robert, conforme dito. Reflete, de modo magnífico, a dualidade que permeou a vida do homem no século XIX, numa modernidade contraditória (conforme estudado por Marhsall Bermann) especificamente no que tange a expectativa pelo progresso e o medo do que esse progresso poderia trazer, o industrialismo a todo vapor e a miséria social crescente, o esplendor da cidade e o abandono do campo, o ringir descontrolado do capitalismo e a promessa incontrolável do socialismo etc. Assim, é significativo que um poema que trabalhe com estas duas faces da mesma moeda tenha sido escrito por um poeta que trabalhou, ele mesmo, na radicalidade, no âmago, na fenda da voz poética, conseguindo ser, a um só tempo, tão fingidor e ao mesmo tempo tão sincero. Veja-se, do contexto do poema, o fato de que, há 4 anos atrás (1851), a Great Exhibition, prova cabal das benesses da modernidade, havia sido realizada ao mesmo tempo que a Inglaterra encarava as vicissitudes da Guerra da Crimeia. É um Robert mais vitoriano que nunca, bastando que se cite, entre outros, o cenário do poema, a Itália, e ao mesmo tempo um Robert menos vitoriano e mais cidadão do mundo também do que nunca. O que, num poema calcado nas ruínas, é no mínimo irônico. Mas não pretendo me estender muito no comentário. Como sugestão de análise do poema, destaco The Politics and Sexual Politics of Browning’s “Love Among the Ruins” de Evgenia Sifaki:

O poema é construído como uma concentração de ambiguidades começando do título, "Amor entre Ruínas", onde as ruínas, além de serem um aspecto do próprio país, implicam a destruição de um simbolismo fálico que é, mais amplamente, a representação do narrador da glória passada: onde o topo do palácio, as colunatas das clareiras, os pilares que tocam as estrelas, uma torre, um torreão e templos no topo das montanhas dominavam a cena, agora resta apenas um único torreão num panorama que não tem árvore alguma pra mostrar. A destruição radical da masculinidade, indicada pelas ruínas (revelando um decaimento substancial do sarcasmo no título), acompanha de perto e de fato converge rumo ao declínio da civilização. Então o que deve ser pontuado é que energia é não meramente um atributo da masculinidade, mas a força que gera a civilização e a mantém firme. E por conseguinte, [gera] os materiais de construção da cidade, cuja enumeração manifestam um progresso e civilização indisputáveis enquanto são usados para confundir masculinidade com crescimento econômico de modo absolutamente inextricável: "A enormidade / Dela, suas montanhas com seus templos, seus aquedutos, / Pontes, tudo, / Clareiras, colunatas, barragens — e, não menos importante, / Seus habitantes!" (62-66). E, a partir da metáfora das ruínas, o poema foca precisamente na problemática conjunção entre história e humanidade.

Robert Browning foi pouquíssimo traduzido no Brasil. Mais uma vez, recomendo uma ótima postagem no escamandro que poderá dar ao leitor as coordenadas: O Amante de Porfíria. E a postagem A Atualidade do Flautista de Hamelin no blog pessoal de Ivo Barroso, comentando a tradução de Alípio Correia Neto para O Flautista de Hamelin: um grande tradutor falando de outro grande tradutor. Tem combinação melhor?

Quero, porém, me ater ao nome de Décio Pignatari.

Décio é um grande tradutor, não é nenhuma novidade. De Robert, deixou 3 serviços: My Last Duchess, Love among Ruins e um trecho do Sordello. Sua tradução para My Last Duchess é simplesmente espetacular. Maravilhosa, talvez imbatível. Não vou comentar muito. Já sua tradução para o trecho de Sordello é também muito boa, apesar de não manter as rimas emparelhadas do original (o afã de traduzir o verso de cinco pés para um de dez, no caso de Browning, a meu ver não tem necessidade nenhuma), mas creio que, um dia, uma tradução do poema todo (!) ou de uma boa parte dele poderá mostrar aspectos que Décio possa não ter se apercebido. Ou não tenha tido como mostrar. Ou trechos que demonstrem mais Robert que Pound, visto que a tradução de Décio está inclusa no apêndice ao livro ABC da Literatura (trad. Augusto de Campos e José Paulo Paes).

Já sua tradução para Love among Ruins, de julho de 1950 (inclusa no livro Poesia Pois É Poesia), é problemática. Possui momentos genuinamente Décio, como o final. Mas outras passagens ficaram estranhas, com arcaísmos a meu ver sem muita justificativa. Claro que nem toda a tradução de Décio é assim, e ele, por exemplo, foi muito competente na hora de traduzir alguns termos arquitetônicos do original, antenado que era com a área (quer dizer; até aqui não foi 100%, pois Décio não manteve a distinção do original towers-turret, isto é, torre e torreão, esta última, "Torre larga, com ameias, que constitui o reduto defensivo de um castelo" [aqui]). Mas não dá pra negar que o uso do "vedes" ou "Mister se faz" é estranho para alguém que sempre se atentou muito à coloquialidade na hora de traduzir (veja-se a tradução de Décio para Romeu e Julieta). O máximo que consigo usar como explicação é o fato de que, quem sabe, Décio quisesse criar, para um poema do amor entre ruínas, uma linguagem entre ruínas (coisa, aliás, comum na sua produção dessa época, bastando que se cite o maravilhoso Fadas para Eni). Ou que estejamos diante de um Décio aprendiz de tradutor. Não tenho certeza. O aspecto mais preponderante do original, que é a mescla de um metro longo com um metro muito curto, e rimado de modo emparelhado, dando uma descontinuidade impressionante ao poema e, ao mesmo tempo, um ritmo restaurador, passou longe pela tradução de Décio, em muitos momentos algo próximo do verso livre. Todo modo, disponibilizo a tradução de Décio abaixo da minha.

Obviamente, proponho-me a suplantar todos esses problemas. O metro do original, que é cambiante mas que tem uma base no pentâmetro trocaico, foi alargado em minha tradução para um verso de 14-17 sílabas com base no de 16. Estendê-lo tanto assim não creio que seja um problema, pois o aspecto principal do poema, a meu ver, é a diferença súbita entre um verso grande e um verso pequeno, o que, fosse mantido o decassílabo, seria muito difícil de ser feito (pois eu teria que usar um outro metro muito pequeno, com, no máximo, sei lá, umas 2 sílabas). Já os versos de medida mais curta, no original versos de 1 ou 2 pés, traduzi para versos com no máximo 5 sílabas (ou, no máximo 2 tônicas). Ou seja, 1/4 do tamanho dos versos maiores.

As rimas foram mantidas em seu padrão original. Me esforcei em não trazer muitas rimas toantes, por mais que elas fatalmente apareçam. E, quando apareceram, tentei fazer com que a semelhança fônica fosse a maior possível, como entre "trecho-rochedo". Pois, na verdade, a divisão das rimas entre toantes ou consonantais é realmente muito oito ou oitenta, no que pensarmos em rimas perfeitas ou parciais é muito mais efetivo: assim, por exemplo, podemos criar uma espécie de escala rímica que vai desde a rima muito parcial, dependente de pouca correspondência fônica, como rimar "polvo" com "ossos", passando pelas rimas com grande semelhança fônica mas alguns detalhes fora do lugar, como "polvo" e "novos" ou "polvo" e "povo", até a rima com consoante de apoio. Pensando desse modo, estamos mais perto tanto do real funcionamento da rima em inglês, que, como tenho dito tantas vezes no bloguinho, não é algo só pra inglês ver, como podemos dar um certo alívio ao tradutor e pesar de modo mais sistemático as rimas que porventura venham a pintar.

O vocabulário seguiu de perto o de Browning, sem muitos arcaísmos: no máximo o "talisca", palavra que me muito me agradou saber da existência. E, pra terminar o comentário padrão, mais uma vez, adições, substituições, essas coisas. Por exemplo, logo no primeiro verso, eu transformei o que era apenas "smiles" em "às mil maravilhas", obviamente buscando rimar com "Milhas e milhas".

O texto utilizado foi o de Selected Poems, Penguin (2004), com introdução, notas e seleção de Daniel Karlin.




AMOR ENTRE RUÍNAS.

Onde a tarde termina em cores calmas e às mil maravilhas,
        Milhas e milhas
Dum pasto solitário onde a manada de ovelhas apascenta,
        Sonolenta,
Balindo no poente e a caminho de casa, errante no prado
        Aparado —
Era onde situava-se uma metrópole de espalhafatos,
        (São os boatos)
A verdadeira capital de nosso país, cujo príncipe
        Desde o princípio
Manteve corte, reuniu concílios, levou a outras terras
        A paz e a guerra.

Agora — esse país não tem árvore alguma pra mostrar,
        É só olhar.
Para que se distingua encostas e riachos nas colinas,
        Trace linhas
E os nomeie (antes que virem um só mais adiante).
        E onde a elegante
Construção em abóbodas do palácio alçava seu topo
        Tal qual o fogo
Sobre o circuito de cem portas que a muralha delimita,
        Erigida
Em mármore, doze guerreiros devem marchar lado a lado
        E espaçados.

É só olhar: gramado rico e perfeito assim jamais
        Houve, jamais!
É tal a relva que, durante esse verão, ela cobre
        E ela encobre
Cada pedaço da cidade, pensado em cada trecho,
        Tronco ou rochedo —
Onde uma multidão de pessoas se alegrou e sofreu,
        Onde ocorreu
De o desejo de glória os dominar e tornar corajosos
        Os mais medrosos;
E tal glória e temor, por igual, tanto ouro negociou
        Quanto esbanjou.

Agora — o único torreão que ainda resta
        Na relva,
Por alcaparras e cabaças totalmente enraizado
        E riscado,
Enquanto a alcachofra-dos-telhados em botão pisca
        Na talisca —
Aponta a base onde a torre, em tempos anteriores
        E nos ardores
De um círculo de fogo que o carro-de-guerra percorria,
        Nobre surgia,
E de onde o rei gostava de assistir, ao lado de seus pares,
        Aqueles páreos.

E eu sei, enquanto a tarde em calmas cores a manada à solta
        Põe de volta
No aprisco, a nossa lã variamente tilintando em paz
        E, lá atrás,
As encostas, riachos de um cinza longemente indefinido
        E confundido —
Eu sei que uma donzela cujo olhar a impaciência exprima
        Me espera em cima
Do torreão, onde os carros-de-guerra respiravam fundo
        Um segundo,
Sob o olhar do rei lá de onde ela hoje procura no entorno
        O meu retorno.

Mas ele olhou para a cidade, cada canto da cidade,
        A enormidade
Dela, suas montanhas com seus templos, seus aquedutos,
        Pontes, tudo,
Clareiras, colunatas, barragens — e, não menos importante,
        Seus habitantes!
Assim que eu retornar, ela não dirá nada — sua mão
        Na minha e então
Seus olhos que primeiro irão me envolver inteiramente,
        Tendo em mente
Que nossos corpos estarão juntos e que faltará a voz
        Logo após.

Num ano jogam mil, dez, cem mil guerreiros à própria sorte,
        Ao Sul ou Norte,
No que elevam a seus deuses pilares que tocam as estrelas,
        Sem esquecer das
Reservas de milhares de carros-de-guerra em força total —
        Ouro, afinal.
Ó coração! oh sangue que congela, oh sangue que torra!
        A Terra retorna
Para séculos de folias, de ruídos e pecados!
        Sejam trancados
Com suas glórias, seus triunfos e o que quer que for!
        Só basta o amor.









AMOR ENTRE AS RUÍNAS.
Tradução de Décio Pignatari.

Lá onde o fim da tarde em calmas cores favorece
        Milhas e milhas
Dos campos ermos, onde, agora, sonolento,
        Nosso rebanho,
Balindo ao crepúsculo, quedo ou perdido, anseia os lares
        A talar a relva 
Foi outrora o lugar de uma cidade grande e alegre
         dizem todos 
A verdadeira capital de nossa terra, cujo príncipe
        Desde tempos,
Aí mantinha a corte, reunia concílios, levando longe
        A paz e a guerra.

Agora, esse país nem uma árvore ostenta aos olhos,
        Como vedes,
E para distinguir declives viridentes ou regatos
        Que descem das colinas,
Mister se faz cruzá-lo e emprestar-lhes nomes (pois que além
        Reúnem-se num só).

Onde o palácio audaz com suas abóbadas alçava as torres
        Como flamas
Acima do circuito das muralhas de cem portas
        Todo em mármore e abarcando
Tudo, e sobre o qual doze guerreiros caminhavam lado a lado
        Sem tocarem-se,
Vede: tanta abundância e tanta perfeição jamais de relva
        Se vestiu
Como se veste agora, este verão, nesse tapete que se espraia
        E recama os rastros
Todos da cidade  sejam madeira ou pedra  esta cidade
        Que se crê deserta 
Lá onde as multidões de homens riso e pranto respiravam
        Noutros tempos,
E o desejo de glória enchia os corações, e o pavor da vergonha
        Impelia os covardes,
E essa glória e essa vergonha, por igual, o ouro
        Vendia e comprava 

Agora, a pequenina torre derradeira que se alteia
        Sobre os plainos,
Emaranhada em alcaparras, pelas cabaças
        Malferida,
Quando a cabeça aos remendos de um saião em flor pestaneja
        Nas fendas 

Indica a base onde uma torre, em velhos tempos,
        Erguia-se sublime,
Prisioneira de um anel de fogo, que os carros traçavam
        Na corrida,
E de onde o monarca com seus pares e suas damas
        Assistiam aos páreos.

Eu sei, porém, enquanto a tarde em calmas cores
        Prepara a despedida
Para o seu aprisco, e o nosso velo lamentoso
        Nesta paz
E as vertentes e os regatos num cinzento vago
        Misturam-se ao longe 
Eu sei de uma donzela de cabelos de ouro e de um olhar ardente
        Que me espera
Sobre a torre, onde os aurigas recobravam ânimo
        Empós a meta
Sob o olhar do príncipe e agora sob o dela, arfante e silenciosa,
        Enquanto eu me demoro.

O monarca, porém, lançava o olhar sobre a cidade, em torno e
        Para longe, fundamente,
Sobre todas as montanhas coroadas de templos, todas as colunatas
        Das clareiras,
Todas as pontes e barragens e aquedutos  e então
        Sobre todos os homens!

Quando eu chegar, tão mudo e imóvel hei de vê-la,
        Uma das mãos
Em meu ombro, seus olhos envolvendo mais que as mãos
        Meu rosto,

Antes que nos precipitemos e antes que extingamos vista e voz
        Um ao outro.
Num ano, eles fizeram avançar um milhão de guerreiros
        Para o sul e para o norte,
E elevaram a seus deuses um pilar de bronze, tão alto
        Como o céu,
Ainda reservando mil quadrigas vigorosas 
        Ouro, adivinhais.

Oh, coração! Oh, sangue que se esfria e sangue que incendeia!
        Giros da terra
Por tantos séculos de estrondo, insânia e vilipêndio!
         Encerrai-os
Com seus triunfos e suas glórias e o supérfluo:
        O Amor, Amor  e o resto é o resto.










LOVE AMONG RUINS.

Where the quiet-coloured end of evening smiles,
        Miles and miles
On the solitary pastures where our sheep
        Half-asleep
Tinkle homeward thro' the twilight, stray or stop
        As they crop—
Was the site once of a city great and gay,
        (So they say)
Of our country's very capital, its prince
        Ages since
Held his court in, gathered councils, wielding far
        Peace or war.

Now the country does not even boast a tree,
        As you see,
To distinguish slopes of verdure, certain rills
        From the hills
Intersect and give a name to, (else they run
        Into one)
Where the domed and daring palace shot its spires
        Up like fires
O'er the hundred-gated circuit of a wall
        Bounding all
Made of marble, men might march on nor be prest
        Twelve abreast.


And such plenty and perfection, see, of grass
        Never was!
Such a carpet as, this summer-time, o'er-spreads
        And embeds
Every vestige of the city, guessed alone,
        Stock or stone—
Where a multitude of men breathed joy and woe
        Long ago;
Lust of glory pricked their hearts up, dread of shame
        Struck them tame;
And that glory and that shame alike, the gold
        Bought and sold.

Now—the single little turret that remains
        On the plains,
By the caper overrooted, by the gourd
        Overscored,
While the patching houseleek's head of blossom winks
        Through the chinks—
Marks the basement whence a tower in ancient time
        Sprang sublime,
And a burning ring, all round, the chariots traced
        As they raced,
And the monarch and his minions and his dames
        Viewed the games.

And I know, while thus the quiet-coloured eve
        Smiles to leave
To their folding, all our many-tinkling fleece
        In such peace,
And the slopes and rills in undistinguished grey
        Melt away—
That a girl with eager eyes and yellow hair
        Waits me there
In the turret whence the charioteers caught soul
        For the goal,
When the king looked, where she looks now, breathless, dumb
        Till I come.

But he looked upon the city, every side,
        Far and wide,
All the mountains topped with temples, all the glades'
        Colonnades,
All the causeys, bridges, aqueducts,—and then
        All the men!
When I do come, she will speak not, she will stand,
        Either hand
On my shoulder, give her eyes the first embrace
        Of my face,
Ere we rush, ere we extinguish sight and speech
        Each on each.

In one year they sent a million fighters forth
        South and North,
And they built their gods a brazen pillar high
        As the sky
Yet reserved a thousand chariots in full force—
        Gold, of course.
O heart! oh blood that freezes, blood that burns!
        Earth's returns
For whole centuries of folly, noise and sin!
        Shut them in,
With their triumphs and their glories and the rest!
        Love is best.

Comentários

  1. Preciso voltar aqui mais tarde para reler o poema, pois neste momento estou cheio de tarefas para fazer aqui em casa.

    Essa ideia de uma escala rímica é a primeira vez que leio, e achei bastante promissora. Há algum livro que trate sobre o assunto e endosse essa visão?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa ideia de abandonar a terminologia toante - consoante, que sempre me incomodou, veio de vez quando assisti o curso A avaliação de tradução de Poesia, do Paulo Henriques Britto:

      http://www.youtube.com/watch?v=-uIXCA1i35U

      Aos 2:15, por aí. Não sei se tem em algum livro; foi uma ideia que me passou pela cabeça e não tem muita coisa de novo... Sei lá. Não é possível que ninguém nunca tenha pensado nisso hehe.

      Pode ser que algum dia eu me esforce em escrever um pouco disso. É um assunto que acaba me interessando pois a rima é uma pedra-no-sapato, ou, melhor dizendo, uma pedra-de-toque de toda tradução.

      Excluir

Postar um comentário