Kay Ryan (1945 - ).



B
iografia da autora neste último site. Recomendo estas três entrevistas dela: aqui, no Drunkenboataqui, no número 94 da Paris Review, e aqui, no Speakeasy. Poeta laureada e prêmio Pulitzer, Kay Ryan me lembra especialmente Orides Fontela, apesar de Fontela ser muito mais condensada, explosiva que Ryan. Por isso em minhas traduções não me preocupei tanto na hora de fatalmente adicionar versos a mais, tendo em vista o fator surpresa, a geração espontânea com que a rima surge para Ryan, conforme dito na citada entrevista ao Speakeasy:
That’s what rhyme does for you. That was the gift of rhyme- I could never think that up. I just set some words out and got that absolutely terrific “rough bunch.” I probably wrote down “yank” and that gave me “thank.” The whole poem is talking about the machinery that created it. It’s demonstrating itself.



SÍMBOLOS PERDIDOS.

Pro dragão
toda perda
é total. Seu
sono acaba
se uma joia
incrustada
uma taça é
roubada.
O arco de si
no ninho
dourado foi
quebrado.
Perda alguma
é simbólica.

§

AS MARGENS DO TEMPO.

É às margens
que o tempo
afina.
Tempo, antes denso,
grudento, âmbar,
suspende intenções
como as abelhas
não as capturam.
Um zumbido vem,
aparentemente só
de volta. Um golpe
de súplicas agora,
enquanto o tempo achata.
Um leque cintilante
de coisas competindo
pra acontecer, luzindo,
urgentes tais quais
peixes quando o mar
retrai.

§

A OBSOLESCÊNCIA DA LINGUAGEM.

Sabíamos
que ia ocorrer,
uma das leis.
Que iria ser
assim tão
súbito.
Palavras
mastigadas
pela mandíbula,
não-ouvidas
pelo único
outro cidadão
do mundo.


TOKEN LOSS.

To the dragon
any loss is
total. His rest 
is disrupted
if a single 
jewel encrusted
goblet has
been stolen.
The circle
of himself
in the nest
of his gold
has been
broken.  No
loss is token.

§

THE EDGES OF TIME.

It is at the edges
that time
thins.
Time which had been
dense and viscous
as amber suspending
intentions like bees
unseizes them. A
humming begins,
apparently
coming
from stacks of
put–off things or
just in back. A
racket
of claims now,
as time flattens. A
glittering fan of things
competing to happen,
brilliant and urgent
as fish when seas
retreat.

§

THE OBSOLETION OF LANGUAGE.

We knew it
would happen,
one of the laws.
And that it
would be this
sudden. Words
become a chewing
action of the jaws
and mouth, unheard
by the only other
citizen there was
on earth.

Comentários

  1. Qual não é minha surpresa ao ver que Caetano Galindo traduziu Kay Ryan recentemente! No v.1 n. 13 (2014) da Eutomia:

    http://www.repositorios.ufpe.br/revistas/index.php/EUTOMIA/article/view/650

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