Lord Byron (1788 - 1824).



E
scrito em 1814, é um dos poemas mais famosos de Byron. Não há muito o que ser dito. Especulações numa vida tão especulada e especulativa como a do Byron são sempre um perigo. Em minha tradução, que reputo como bastante livre, o verso de oito sílabas de Byron para um de dez, sem muitos prejuízos, a meu ver (o verso de oito sílabas praticamente inexistiu em nossa poesia romântica). Na primeira estrofe, "optei" por repetir a palavra "noite" no lugar das rimas A do poema. Nem tanto por opção estilística. Não conseguiria, satisfatoriamente, tantas rimas em "-oite", no final das contas.

O texto utilizado foi o disponível no poets.org.


I.

Bela quando ela anda, como a noite
    A céu aberto e as noites estreladas.
Bela tal como a sombra e a luz da noite
    À luz de seu rosto são encontradas,
São assim delicadas como a noite
    Guarda luzes que ao dia são negadas.

II.

Com uma sombra a mais e um raio a menos
    E em parte a graça anônima se afeta,
Ondeia em cada cacho teu moreno,
    Reluz na face, de forma discreta,
Em que sereno dorme o pensamento
    Puro em sua morada predileta.

III.

E nesta sobrancelha, e nesta face,
    Tão leve, tão calmo e tão eloquente,
O riso e a cor, como se triunfassem,
    Dissessem da bondade agora ausente,
Consciência que já se apaziguasse,
    Coração cujo amor foi inocente!

§

trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos e Paulo Vizioli. inaqui.

Ela caminha em formosura, noite que anda
    num céu sem nuvens e de estrelas palpitante,
e o que há de bom em treva ou resplendor
    se encontra em seu olhar e em seu semblante:
ela amadureceu à luz tão branda
    que o Céu denega ao dia em seu fulgor.

Uma sombra de mais, em raio que faltasse,
    teriam diminuído a graça indefinível
que em suas tranças cor de corvo ondeia
    ou meigamente lhe ilumina a face:
e nesse rosto mostra, qualquer doce idéia,
    como é puro seu lar, como é aprazível.

Nessas feições tão cheias de serenidade,
    nesses traços tão calmos e eloqüentes,
o sorriso que vence e a tez que se enrubesce
    dizem apenas de um passado de bondade:
de uma alma cuja paz com todos transparece,
    de um coração de amores inocentes.

§

trad. Ivan Justen Santana (comentários abaixo).

ELA anda em charme, como a noite
    De clima quente e céu sem par:
Todo o melhor de brilho e sombra
    Une-se em seu aspecto e olhar,
Mesclado àquela luz mais doce
    Que o firmamento oculta ao mar.

Penumbra a mais ou raio a menos,
    Talvez tal graça se evolasse,
Que em negras tranças de fios plenos
    Flutua ou pousa-lhe na face,
Onde os pensares tão serenos
    Se expressam simples e com classe.

E na maçã do rosto instante,
    Macio, tranquilo, mas veemente,
Brilha um sorriso em cor triunfante,
    Que diz dos dias, gentilmente,
Da mente em paz ao circundante,
    Do coração: flor inocente!

§

trad. Fernando Guimarães. inaqui.

Ela caminha em formosura, como uma noite
    Em que o céu está sem nuvens e com estrelas palpitantes,
E o que há de bom em treva ou resplendor
    Se encontra em seu olhar e em seu semblante:
Ela amadureceu à luz tão branda
    Que o Céu denega ao dia em seu fulgor.

Uma sombra de mais, em raio que faltasse,
    Teriam diminuído a graça indefinível
Que em suas tranças cor de corvo ondeia
    Ou meigamente lhe ilumina a face:
E nesse rosto mostra, qualquer doce idéia,
    Como é puro seu lar, como é aprazível.

Nessas feições tão cheias de serenidade,
    Nesses traços tão calmos e eloquentes,
O sorriso que vence e a tez que se enrubesce
    Dizem apenas de um passado de bondade:
De uma alma cuja paz com todos transparece,
    De um coração de amores inocentes.

§

She walks in beauty, like the night

    Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright

    Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellowed to that tender light

    Which heaven to gaudy day denies. 

One shade the more, one ray the less,

    Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress,

    Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express,

    How pure, how dear their dwelling-place. 

And on that cheek, and o'er that brow,

    So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,

    But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,

    A heart whose love is innocent!




§

Minh'alma é trevas.  Toque a lira
Que ouvir eu ainda tolero,
E deixe que a canção atire a
Meu ouvido um frêmito austero.
Se a mim mesmo a esperança eu quero,
Que o som me encante novamente:
Se lágrimas n'olhos libero,
Caiam, amansem minha mente.

Mas seja a nota rude e funda,
E venha em último o contento:
Menestrel, ou o pranto me inunda
Ou este peito eu arrebento;
Pois se da tristeza é rebento
E sofre num silêncio tanto,
Tendo do mal conhecimento
Ou ele cede ― ou cede ao canto.

§

My soul is dark - Oh! quickly string 
The harp I yet can brook to hear; 
And let thy gentle fingers fling 
Its melting murmurs o'er mine ear. 
If in this heart a hope be dear, 
That sound shall charm it forth again: 
If in these eyes there lurk a tear, 
'Twill flow, and cease to burn my brain. 

But bid the strain be wild and deep, 
Nor let thy notes of joy be first: 
I tell thee, minstrel, I must weep, 
Or else this heavy heart will burst; 
For it hath been by sorrow nursed, 
And ached in sleepless silence, long; 
And now 'tis doomed to know the worst, 
And break at once  or yield to song. 

Comentários

  1. ELA ANDA EM CHARME
    [vb:ijs]

    ELA anda em charme, como a noite
    De clima quente e céu sem par:
    Todo o melhor de brilho e sombra
    Une-se em seu aspecto e olhar,
    Mesclado àquela luz mais doce
    Que o firmamento oculta ao mar.

    Penumbra a mais ou raio a menos,
    Talvez tal graça se evolasse,
    Que em negras tranças de fios plenos
    Flutua ou pousa-lhe na face,
    Onde os pensares tão serenos
    Se expressam simples e com classe.

    E na maçã do rosto instante,
    Macio, tranquilo, mas veemente,
    Brilha um sorriso em cor triunfante,
    Que diz dos dias, gentilmente,
    Da mente em paz ao circundante,
    Do coração: flor inocente!

    ...

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